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Cuiabá vence Chapecoense em jogo tenso e avança na tabela da Série B
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Em uma noite de emoções na Arena Pantanal, o Cuiabá conquistou uma vitória crucial sobre a Chapecoense por 1 a 0 neste domingo (21-09), em confronto válido pela 27ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O gol decisivo de Jader, já na reta final da partida, garantiu três pontos que impulsionam o Dourado na corrida pelo acesso à elite.
Ganhando fôlego na tabela
Com este resultado, o Cuiabá alcançou os 41 pontos e subiu para a sétima posição na classificação geral da Série B. A vitória representa um alívio e um passo importante para a equipe mato-grossense, que busca se consolidar na parte de cima da tabela.
Para a Chapecoense, a derrota foi um balde de água fria. O time catarinense perdeu a oportunidade de ingressar no G4 e permanece na sexta colocação, também com 41 pontos, mas agora a dois de distância do Novorizontino, que ocupa a quarta posição.
Gol da vitória
A partida foi marcada por um curioso contraste no controle do jogo. Embora a Chapecoense tenha exercido um domínio tático durante boa parte dos dois tempos, foi o Cuiabá quem soube ser cirúrgico no momento certo. Aos 42 minutos da etapa final, quando o empate parecia inevitável, Denilson fez a assistência para Max, que arriscou um chute de fora da área. No caminho, a bola desviou em Jader, que, com oportunismo, finalizou com força e balançou as redes, anotando o único gol do confronto e garantindo a festa da torcida cuiabana.
Próximos desafios
O Cuiabá volta a campo já nesta quarta-feira, às 19h (horário de Brasília), para um difícil compromisso fora de casa, quando visitará o Vila Nova-GO pela 28ª rodada da Série B.
A Chapecoense, por sua vez, buscará a reabilitação em casa. Receberá o Avaí nesta quinta-feira, às 21h35, em mais um jogo importante pela 28ª rodada da competição.
Aqui está a ficha técnica da partida:
FICHA TÉCNICA
CUIABÁ 1 x 0 CHAPECOENSE
Competição: Campeonato Brasileiro 2025 – Série B – 27ª rodada
Local: Arena Pantanal, em Cuiabá (MT)
Data: 21 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 20h30 (de Brasília)
GOL
- Cuiabá: Jader, aos 42′ do 2ºT
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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