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EUA estreiam com goleada sobre o Paraguai e assumem liderança do Grupo D
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Os Estados Unidos começaram a Copa do Mundo em alta e, com uma atuação dominante, aplicaram 4 a 1 sobre o Paraguai nesta sexta-feira, no SoFi Stadium, em Los Angeles, pela abertura do Grupo D. Jogando em casa, a seleção norte-americana contou com um gol contra de Damián Bobadilla, além de dois gols de Folarin Balogun e outro de Giovanni Reyna para construir a goleada. Mauricio, do Palmeiras, descontou para os paraguaios.
Com o resultado, os Estados Unidos largam na liderança da chave com três pontos. O Paraguai, por outro lado, termina a rodada inaugural na lanterna e ainda sem pontuar. A situação da tabela só deve mudar no domingo, quando Austrália e Turquia se enfrentam no outro jogo do grupo.
O jogo
O time da casa precisou de poucos minutos para sair na frente. Aos sete, Pulisic fez grande jogada pela esquerda, driblou três marcadores e serviu Adams, que ajeitou a bola para o meio. No lance, Bobadilla acabou desviando contra a própria meta e abriu o placar para os americanos. Pouco depois, Balogun chegou a balançar a rede novamente, mas o gol foi anulado por impedimento de Pulisic na origem da jogada.
A pressão norte-americana continuou e o segundo gol saiu aos 31 minutos. Pulisic avançou até a linha de fundo e cruzou rasteiro para Balogun completar de primeira. Nos acréscimos da etapa inicial, o atacante voltou a aparecer em velocidade: arrancou em contra-ataque, venceu Alderete no mano a mano, cortou para a esquerda e acertou o ângulo de Gill para ampliar a vantagem.
Na volta do intervalo, os Estados Unidos reduziram o ritmo e viram o Paraguai crescer após as entradas de Arce e Mauricio. Aos 28 minutos, Arce ganhou uma disputa com Richards, encontrou Enciso e o meia rolou para Mauricio finalizar de primeira e marcar o gol paraguaio.
Quando a partida já se encaminhava para o fim, Giovanni Reyna deu números finais ao confronto. Aos 53 minutos, o meia carregou pela entrada da área e acertou um chute de três dedos para selar a goleada norte-americana.
Próximos jogos | Copa do Mundo – 2ª rodada
Estados Unidos x Austrália
Data e horário: 19 de junho de 2026 (sexta-feira) às 16h (de Brasília)
Local: Lumen Field, em Seattle (EUA).
Turquia x Paraguai
Data e horário: 20 de junho de 2026 (sábado) às 00h (de Brasília)
Local: Levi’s Stadium, em Santa Clara (EUA).
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Placar | Estados Unidos 4 x 1 Paraguai |
| Competição | Copa do Mundo – 1ª rodada |
| Local | SoFi Stadium, em Los Angeles (EUA) |
| Data | 12 de junho de 2026 (sexta-feira) |
| Horário | 22h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Tyler Adams (EUA) | Cáceres, Almirón, Gustavo Gómez, Alex Arce e Junior Alonso (Paraguai) |
| Gols | Damián Bobadilla (contra), aos 7′ do 1ºT (EUA); Folarin Balogun, aos 31′ do 1ºT (EUA); Folarin Balogun, aos 50′ do 1ºT (EUA); Mauricio, aos 28′ do 2ºT (Paraguai); Giovanni Reyna, aos 53′ do 2ºT (EUA) |
| EUA | Freese; Sergiño Dest (Ricardo Pepi), Chris Richards, Tim Ream e Antonee Robinson; Tyler Adams, Weston Mckennie e Tillman (Giovanni Reyna); Freeman, Pulisic (Berhalter) e Balogun (Timothy Weah). Técnico: Mauricio Pochettino |
| Paraguai | Orlando Gill; Juan Cáceres (Ramón Sosa), Alderete, Gustavo Gómez e Junior Alonso; Andrés Cubas, Bobadilla (Mauricio) e Diego Gómez (Kaku); Almirón (Gustavo Velázquez), Enciso e Antonio Sanabria (Alex Arce). Técnico: Gustavo Alfaro |
Veja o vídeo da FIFA do Resumo da partida
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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