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Fluminense perde para o Chelsea e é eliminado do Mundial de Clubes

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O Fluminense teve seu sonho de conquistar o Mundial de Clubes interrompido nesta terça-feira, ao ser derrotado por 2 a 0 pelo Chelsea, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, em partida válida pela semifinal do torneio. O grande destaque do confronto foi o atacante brasileiro João Pedro, cria das categorias de base do próprio Fluminense, que marcou os dois gols da vitória dos Blues e optou por não comemorar contra seu ex-clube.

Desde o início da partida, o Chelsea demonstrou maior controle da posse de bola e presença no campo de ataque. Aos 17 minutos do primeiro tempo, João Pedro aproveitou um rebote da zaga na entrada da área e finalizou cruzado, sem chances para o goleiro Fábio, abrindo o placar para a equipe inglesa.

O gol não alterou o panorama do jogo, com o Chelsea seguindo mais incisivo. O Fluminense teve sua melhor oportunidade de empate pouco depois, quando Hércules tocou na saída do goleiro Sanchez, mas Cucurella apareceu heroicamente para evitar o gol em cima da linha. A equipe carioca ainda teve um pênalti assinalado a seu favor, que foi posteriormente anulado após revisão do VAR. O Chelsea manteve a vantagem mínima até o intervalo.

No segundo tempo, a tônica da partida se manteve, com o Chelsea ditando o ritmo. Aos 11 minutos, em um contra-ataque rápido, João Pedro foi lançado, invadiu a área e finalizou novamente sem chances para Fábio, ampliando a vantagem para 2 a 0. O segundo gol do atacante, que cresceu no Fluminense, selou a eliminação do time carioca.

Apesar de algumas tentativas no final da partida, o Fluminense encontrou dificuldades para superar a defesa inglesa. O Chelsea, por sua vez, administrou o resultado e garantiu sua vaga na grande final do Super Mundial de Clubes.

Agora, o Chelsea aguarda o vencedor do confronto entre Real Madrid e Paris Saint-Germain, que acontecerá nesta quarta-feira, às 16h (horário de Brasília). A grande decisão está marcada para o próximo domingo, também às 16h, no MetLife Stadium.

FICHA TÉCNICA

FLUMINENSE 0 X 2 CHELSEA

Local: Estádio MetLife, em Nova Jersey (Estados Unidos)
Data: 08/07/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: François Letexier (França)
Assistentes: Cyril Mugnier (França) e Mehdi Rahmouni (França)
Cartões amarelos: Nonato e Soteldo (Fluminense); Sanchez (Chelsea)
GOLS: João Pedro, aos 17′ do 1º T e aos 11 do 2º T (CHELSEA)

FLUMINENSE: Fábio, Ignacio, Thiago Silva e Thiago Santos (Keno); Guga, Facundo Bernal (Lima), Hércules (Canobbio), Nonato (Soteldo), Jhon Arias e Renê; Germán Cano (Everaldo). Técnico: Renato Gaúcho

CHELSEA: Sánchez, Gusto (James), Chalobah, Adarabioyo e Cucurella; Caicedo, Fernandez (Andrey Santos) e Palmer; Pedro Neto (Mandueke), João Pedro (Jackson) e Nkunku (Dewsbury-Hall). Técnico: Enzo Maresca

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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