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França domina Suécia e carimba passaporte para as oitavas de final da Copa do Mundo
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A seleção da França garantiu sua vaga na fase de mata-mata da Copa do Mundo com uma vitória convincente sobre a Suécia por 3 a 0. Em duelo disputado no MetLife Stadium, em Nova Jersey, os franceses contaram com o brilho individual de Kylian Mbappé e Michael Olise para superar a resistência sueca e avançar na competição. Com o resultado, a equipe comandada por Didier Deschamps já se prepara para enfrentar o Paraguai no próximo sábado, às 18h (horário de Brasília), no Estádio da Filadélfia.
O jogo
O confronto começou com a Suécia tentando surpreender. Logo aos dois minutos, Isak teve a chance de abrir o placar, mas parou em uma defesa segura de Maignan. A França demorou a se encontrar em campo e só finalizou pela primeira vez aos 15 minutos. Pouco depois, Mbappé chegou a balançar as redes após passe de Olise, mas o lance foi anulado por impedimento. A pressão francesa aumentou com uma bola na trave de Mbappé e um voleio plástico de Olise, defendido pelo goleiro Zetterstrom.
A insistência foi recompensada nos instantes finais da primeira etapa. Aos 44 minutos, após cobrança de escanteio curta e uma tabela entre Dembélé e Olise, a bola sobrou para Mbappé dentro da área. O atacante do Real Madrid mostrou categoria ao driblar a marcação e estufar as redes, levando a vantagem para o intervalo.
No segundo tempo, a França não diminuiu o ritmo e ampliou o marcador logo aos sete minutos. Olise, o motor do time na partida, serviu Barcola com um passe preciso. O jovem atacante dominou dentro da área e finalizou com força, sem dar chances de defesa. Mesmo em vantagem, os franceses seguiram controlando as ações e desperdiçaram oportunidades em contra-ataques puxados pela velocidade de seus pontas.
O golpe final veio aos 28 minutos da etapa complementar. Novamente em uma conexão direta, Olise encontrou Mbappé bem posicionado na área. O camisa 10 não perdoou e marcou seu segundo gol no jogo, o terceiro da França. Nos minutos finais, a Suécia ainda tentou um gol de honra com Gyokeres, mas Maignan apareceu bem para manter a meta invicta. Com a classificação assegurada, os franceses agora focam no duelo decisivo contra os paraguaios pela sobrevivência no torneio.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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