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Mirassol e Flamengo empatam na despedida do Brasileirão
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Em um confronto digno de encerramento de temporada, Mirassol e Flamengo protagonizaram um empate movimentado em 3 a 3 na noite deste sábado, no Estádio Maião, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. A partida, que já tinha o título rubro-negro e a vaga do Leão na Libertadores garantidos, foi marcada pela intensidade e pelo festival de gols, demonstrando a garra das duas equipes.
Chico Kim, Alesson e Cristian balançaram as redes para o Mirassol, enquanto Douglas Telles e Guilherme Gomes, com dois gols, foram os artilheiros do lado flamenguista. O Flamengo encerrou a competição como campeão, somando 79 pontos, e o Mirassol garantiu a quarta posição na tabela, com 67 pontos, celebrando sua classificação para a competição continental.
O jogo
Mesmo com uma equipe predominantemente jovem, formada por atletas da base, o Flamengo não se intimidou e mostrou sua força desde o início. Aos sete minutos de jogo, Daniel Sales fez um belo levantamento da direita, Guilherme Gomes acertou a trave, mas no rebote, Douglas Telles aproveitou para abrir o placar.
A oportunidade de ampliar veio logo em seguida com Michael, que desperdiçou uma chance cara a cara com o goleiro Walter. O Mirassol não demorou a reagir e buscou o empate aos 12 minutos, em uma bela jogada pela esquerda: Felipe Jonathan tocou de calcanhar para Chico Kim finalizar no ângulo.
Com o placar igualado, o time da casa passou a controlar a posse de bola, mas o Rubro-Negro carioca voltou a tomar a frente. Aos 30 minutos, Jhonny avançou pela esquerda e serviu Guilherme Gomes. O meia dominou, foi em direção à meia-lua e disparou um verdadeiro míssil no ângulo oposto, com a bola ainda beijando o travessão antes de entrar.
No entanto, o Mirassol não se deu por vencido. Aos 40 minutos, Chico Kim, livre pela esquerda, cruzou rasteiro para Alesson, que bateu forte no meio da área, empatando o jogo novamente.
O segundo tempo manteve o ritmo acelerado e a busca incessante pelo gol. Aos 13 minutos, o Flamengo retomou a vantagem: Douglas Telles cruzou da direita, Wallace Yan cabeceou para o meio da área, Walter cortou, mas Guilherme Gomes estava lá para empurrar para o barbante, fazendo seu segundo gol na partida.
Contudo, o enredo se repetiu. Aos 19 minutos, o Mirassol recuperou a bola no meio-campo e Carlos Eduardo foi lançado na esquerda da área. O atacante cortou para o meio e finalizou, o goleiro Dyogo Alves defendeu, mas o rebote sobrou para Cristian, que não perdoou e marcou o terceiro gol do Mirassol, selando o empate.
Nos últimos 15 minutos, após diversas substituições, o Flamengo perdeu um pouco de sua organização e foi bastante pressionado, mas conseguiu segurar o placar, encerrando a temporada com um ponto fora de casa em um jogo emocionante.
Peço desculpas pelo equívoco. Retiro os asteriscos e apresento a tabela novamente:
FICHA TÉCNIA
| Mirassol 3 x 3 Flamengo | |
|---|---|
| Competição | 38ª rodada do Campeonato Brasileiro |
| Local | Estádio Campos Maia, em Mirassol |
| Data | 6 de dezembro de 2025 (sábado) |
| Horário | 18h30 (de Brasília) |
| Cartões Amarelos | José Aldo (Mirassol) |
| Arbitragem | |
| Árbitro | Lucas Casagrande (PR) |
| Assistentes | Naílton Júnior de Sousa Oliveira (CE) e Andrey Luiz de Freitas (PR) |
| VAR | Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN) |
| Gols | |
| Flamengo | Douglas Telles (7′ 1ºT), Guilherme Gomes (30′ 1ºT), Guilherme Gomes (13′ 2ºT) |
| Mirassol | Chico Kim (12′ 1ºT), Alesson (40′ 1ºT), Cristian (19′ 2ºT) |
| Escalações | |
| Mirassol | Walter, Lucas Ramon, João Victor, Jemmes e Felipe Jonatan; Danielzinho (José Aldo), Neto Moura e Chico Kim (Guilherme Marques); Negueba, Renato Marques (Cristian) e Alesson (Carlos Eduardo) |
| Técnico | Rafael Guanaes |
| Flamengo | Dyogo Alves, Daniel Sales (Wandreson), Iago, João Victor e Johnny; Pablo Lúcio (Lucas Vieira), Evertton Araújo e Guilherme Gomes (Joshua); Douglas Telles (João Camargo), Wallace Yan e Michael |
| Técnico | Bruno Pivetti (Interino) |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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