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Mirassol estreia com goleia sobre o São Paulo no Paulistão
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O São Paulo Futebol Clube iniciou sua jornada no Campeonato Paulista com uma amarga derrota por 3 a 0 diante do Mirassol, em partida disputada neste domingo no Estádio José Maria de Campos Maia. O resultado deixa o Tricolor na 14ª posição da tabela, sem pontos, enquanto o Mirassol festeja a terceira colocação com seus primeiros três pontos.
A partida marcou a aguardada estreia de Danielzinho com a camisa são-paulina e o retorno de Lucas aos gramados, mas a performance da equipe ficou aquém das expectativas da torcida.
O jogo
O Mirassol não demorou a abrir o placar, aproveitando um início de jogo desorganizado do São Paulo. Aos seis minutos, Shaylon arriscou de fora da área, a bola explodiu na trave e, no rebote, Lucas Mugni empurrou para as redes com o goleiro Rafael já batido no lance.
A situação do São Paulo piorou aos 20 minutos. Após uma saída de bola errada de Alisson no campo de defesa, Alesson roubou a posse de Ferraresi, avançou e tentou um cruzamento que desviou em Alan Franco, enganando Rafael e resultando em um infeliz gol contra. Mesmo com maior posse de bola após o segundo gol, o Tricolor demonstrou pouca efetividade e não conseguiu criar chances claras para diminuir o prejuízo antes do intervalo.
Segundo tempo
Na etapa final, o São Paulo tentou ensaiar uma reação. Aos 13 minutos, Ferreirinha fez boa jogada pela esquerda e serviu Cédric, que finalizou cruzado, mas a bola saiu pela linha de fundo. Doze minutos depois, Ferreirinha novamente foi acionado pela esquerda e cruzou para Maik, que subiu de cabeça, mas mandou para fora. Aos 32, Ferreirinha voltou a levar perigo, cortando para o meio e finalizando com efeito, passando perto da trave do goleiro Walter.
No entanto, a esperança são-paulina se esvaiu aos 36 minutos. Maik, em uma dividida, cometeu falta em José Aldo após tocar na bola e recebeu o cartão vermelho direto, deixando o São Paulo com dez jogadores.
A superioridade numérica do Mirassol foi capitalizada nos minutos finais. Aos 44, Daniel Borges cruzou na área, Rafael espalmou para o meio da área, e José Aldo apareceu para finalizar e selar a vitória expressiva do Mirassol por 3 a 0.
Próximos confrontos
Mirassol
- Jogo: Primavera x Mirassol
- Data e horário: 14 de janeiro (quarta-feira) | 19h (de Brasília)
- Competição: Campeonato Paulista
- Local: Estádio Ítalo Mário Limongi
São Paulo
- Jogo: São Paulo x São Bernardo
- Data e horário: 15 de janeiro (quinta-feira) | 21h45 (de Brasília)
- Competição: Campeonato Paulista
- Local: Morumbis
FICHA TÉCNICA
| Mirassol 3 x 0 São Paulo | |
|---|---|
| Competição | Campeonato Paulista |
| Local | Estádio José Maria de Campos Maia |
| Data | 11 de janeiro de 2026 (domingo) |
| Horário | 20h30 (de Brasília) |
| Gols do Mirassol | Lucas Mugni (6′ 1ºT), Alan Franco (contra, 20′ 1ºT), José Aldo (44′ 2ºT) |
| Cartões Amarelos | Neto Moura (Mirassol); Ferraresi (São Paulo) |
| Cartões Vermelhos | Maik (São Paulo) |
| Arbitragem | Árbitro: Matheus Delgado Candançan Assistentes: Evandro de Melo Lima e Rafael Tadeu Alves de Souza VAR: Thiago Duarte Peixoto |
| Mirassol | Walter; Daniel Borges, João Victor, Luiz Otávio e Reinaldo; Neto Moura (Yuri), Aldo Filho e Lucas Mugni (Galeano); Shaylon (Eduardo), Alesson (Carlos Eduardo) e André Luis (Renato Marques) Técnico: Rafael Guanaes |
| São Paulo | Rafael; Cédric (Maik), Alan Franco, Ferraresi, Sabino e Nicolas (Danielzinho); Marcos Antônio, Bobadilla e Alisson (Ferreirinha); Luciano (Lucca) e Tapia (Lucas) Técnico: Hernán Crespo |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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