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Palmeiras vence Ituano e avança às quartas de final da Copinha

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O Palmeiras não deu chances ao Ituano e garantiu sua vaga nas quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em uma atuação dominante na manhã deste sábado (16) na Arena Barueri, o Verdão venceu por 3 a 1 e segue firme na busca pelo inédito tricampeonato do torneio.

Desde o apito inicial, a equipe alviverde impôs seu ritmo e não demorou a abrir o placar. Aos dez minutos do primeiro tempo, o lateral Luís Sabóia aproveitou um rebote na entrada da área e, com um belo chute, estufou as redes adversárias. A vantagem palmeirense foi ampliada aos 35 minutos, quando Victor Gabriel, após um erro na saída de bola do Ituano, ficou cara a cara com o goleiro e finalizou com categoria para fazer o segundo gol. O Palmeiras foi para o intervalo com uma confortável vantagem.

Na etapa final, o domínio continuou. Aos 40 minutos, o Verdão selou a vitória com um gol de Juliano, fruto de uma bem trabalhada jogada ensaiada que culminou com o jogador finalizando sem chances para o goleário adversário. Já nos acréscimos, o Ituano conseguiu o gol de honra com Matheus Rocha, mas a reação foi tardia e insuficiente para mudar o panorama da partida.

Com a vitória, o Palmeiras aguarda agora o desfecho do confronto entre Internacional e Ibrachina, que acontece ainda neste sábado, às 14h30 (de Brasília), para conhecer seu próximo adversário nas quartas de final. A Federação Paulista de Futebol divulgará em breve a data, local e horário exatos da próxima partida do Alviverde.

Para o Ituano, a campanha na Copinha de 2026 termina nas oitavas de final, despedindo-se da competição como um dos 16 melhores clubes, um resultado de destaque para a equipe de Itu. O Palmeiras, por sua vez, segue em frente, com a confiança em alta, determinado a conquistar mais um título na tradicional competição de base.

                                                                FICHA TÉCNICA

 Palmeiras 3 x 1 Ituano
Competição Copa São Paulo de Juniores 2026
Local Arena Barueri, em Barueri (SP)
Data 17 de janeiro de 2026
Horário 10h (de Brasília)
Gols
Palmeiras Luis Sabóia, aos 10 minutos do 1ºT
Palmeiras Victor Gabriel, aos 35 minutos do 1ºT
Palmeiras Juliano, aos 40 minutos do 2ºT
Ituano Matheus Rocha, aos 50 minutos do 2ºT
Cartões Amarelos
Palmeiras Antônio Marcos, Pimenta, Robson, Juliano e Rocha
Ituano GW, Matheus Rocha e Kauan
Cartões Vermelhos Nenhum
Palmeiras Aranha; Luis Sabóia, Robson, Pimenta e André Lucas; Coutinho, João Paulo e Antônio Marcos; Sorriso, Juan Gabriel e Victor Gabriel.
Técnico Palmeiras Lucas Andrade
Ituano Gabriel Marques; JP, GW, Eduardo, Matheus Rocha e Izidoro; Kauan, Malheiros e Stefanello; Bruninho e Gui Miranda.
Técnico Ituano Guilherme Bellangero

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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