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Palmeiras vence o Grêmio e dispara na liderança do Brasileirão
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O Palmeiras celebrou um retorno triunfal ao Campeonato Brasileiro após a pausa para a data FIFA, conquistando uma vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio na noite desta quinta-feira (02.04). A partida, válida pela nona rodada, teve como palco a Arena Crefisa Barueri e foi marcada pela atuação decisiva de Marlon Freitas, autor dos dois gols do Verdão. Carlos Vinícius descontou para o time gaúcho.
O reencontro com o ex-goleiro palmeirense Weverton, hoje defendendo as cores do Grêmio, adicionou um tempero especial ao confronto. Com este resultado, o Palmeiras consolida sua posição na ponta da tabela, alcançando 22 pontos e abrindo uma vantagem de três sobre o vice-líder Fluminense. O Grêmio, por sua vez, caiu para a décima colocação, mantendo seus 11 pontos.
O jogo
O Palmeiras iniciou a partida ditando o ritmo, buscando o gol desde os primeiros minutos. Andreas Pereira assustou em cobrança de falta aos sete minutos, e pouco depois, Weverton fez uma defesa crucial com a ponta dos dedos em chute cruzado de Jhon Arias. O Grêmio tentava responder com investidas rápidas, como a de Enamorado, mas sem grande efetividade.
Apesar da pressão constante, o Verdão encontrava dificuldades na finalização. Chutes de Giay e Allan pararam em Weverton, que se mostrava atento. O goleiro Carlos Miguel também teve que trabalhar em chute de fora da área de Carlos Vinícius. A insistência palmeirense foi recompensada aos 43 minutos: Andreas Pereira cobrou uma falta precisa, e Marlon Freitas subiu mais alto que a zaga gremista para cabecear firme, abrindo o placar. Weverton ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol.
Segundo tempo
A segunda etapa começou eletrizante. O Grêmio não demorou a reagir, e aos oito minutos, Carlos Vinícius empatou a partida com um belo chute de fora da área, sem chances para Carlos Miguel, após receber lançamento de Gustavo Martins e superar a marcação de Bruno Fuchs.
O empate deu novo gás ao jogo, com ambas as equipes buscando a vitória. Carlos Miguel teve que aparecer novamente para defender duas investidas perigosas de Amuzu, uma delas em chute rasteiro e outra em escanteio fechado. O Palmeiras, no entanto, não se abalou e buscou o gol da vitória. Aos 27 minutos, após cruzamento de Felipe Anderson e uma tentativa de corte da defesa gremista, a bola sobrou limpa para Marlon Freitas, que não perdoou e bateu de primeira, marcando seu segundo gol na partida e recolocando o Palmeiras à frente no placar. Nos minutos finais, o Grêmio ainda tentou uma reação, mas sem sucesso em suas investidas.
Próximos desafios
Palmeiras segue sua jornada no Campeonato Brasileiro no próximo domingo, 5 de abril, enfrentando o Bahia pela 10ª rodada. A partida será às 19h30 (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA).
Grêmio terá a oportunidade de se recuperar em casa, recebendo o Remo também no domingo, 5 de abril, às 20h30 (de Brasília), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS).
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Palmeiras 2 x 1 Grêmio | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (4ª rodada) |
| Local | Arena Crefisa Barueri, em Barueri (SP) |
| Data | 2 de abril de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Público | 13.572 torcedores |
| Renda | R$ 475.972,50 |
| Cartões Amarelos | Pedro Gabriel, Gustavo Martins e Dodi (Grêmio) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Bruno Arleu de Araujo (RJ) Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ) VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO) |
| Gols | Marlon Freitas (Palmeiras), aos 43′ do 1ºT Carlos Vinícius (Grêmio), aos 8′ do 2ºT Marlon Freitas (Palmeiras), aos 27′ do 2ºT |
| Escalação Palmeiras | Carlos Miguel; Giay, Murilo, Bruno Fuchs e Jefté (Arthur); Marlon Freitas, Andreas Pereira, Allan (Lucas Evangelista) e Jhon Arias (Khellven); Mauricio (Felipe Anderson) e Flaco López (Ramón Sosa). Técnico: Abel Ferreira |
| Escalação Grêmio | Weverton; Pavon, Gustavo Martins, Viery e Pedro Gabriel; Noriega (Dodi), Nardoni (Zortea), Monsalve (Gabriel Mec), Enamorado (Braithwaite) e Tetê (Amuzu); Carlos Vinícius. Técnico: Luís Castro |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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