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Pênalti nos acréscimos tira vitória do Corinthians e deixa Inter com empate no Beira-Rio

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O Corinthians viu a vitória escapar nos instantes finais da partida contra o Internacional na noite desta quarta-feira, no Beira-Rio, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Um pênalti controverso marcado nos acréscimos permitiu que Carbonero empatasse o jogo para o Colorado em 1 a 1, após Gui Negão ter aberto o placar para o Timão. O resultado estende a sequência sem vitórias do alvinegro para três jogos.

Com o empate amargo, o Corinthians estaciona na 13ª posição da tabela, somando 30 pontos. Já o Internacional, que luta para se afastar da zona de rebaixamento, alcançou 29 pontos e ocupa a 15ª colocação, mantendo uma distância de seis pontos do Z4.

Início agitado e gols anulados

O Internacional começou a partida pressionando, com Alan Patrick perdendo uma grande oportunidade logo no primeiro minuto. Apesar das investidas gaúchas, foi o Corinthians quem surpreendeu ao abrir o placar aos nove minutos. Matheuzinho cruzou na medida, e Gui Negão mergulhou de cabeça para balançar as redes, fazendo 1 a 0 para o Timão.

O gol esfriou o ímpeto colorado. O Corinthians chegou a ampliar a vantagem com Hugo, mas o lance foi anulado pelo VAR devido a um impedimento milimétrico. Pouco depois, o Internacional também teve um gol anulado; Óscar Romero marcou, mas a arbitragem de vídeo apontou que Luis Otávio, em posição irregular, atrapalhou o goleiro Hugo Souza na jogada.

Segundo tempo morno e pênalti decisivo

A segunda etapa foi marcada por poucas chances claras de gol, com as equipes se estudando e o Corinthians buscando administrar a vantagem. No entanto, a tranquilidade alvinegra foi quebrada profundamente nos acréscimos. Aos 56 minutos, o árbitro assinalou um pênalti polêmico após entender que Cacá segurou Bruno Henrique na área. Carbonero cobrou com precisão, garantindo o empate em 1 a 1 para o Internacional e frustrando os planos do Corinthians.

Próximos confrontos:

O Internacional terá um desafio em casa no sábado, 4 de outubro, às 18h30 (de Brasília), quando receberá o Botafogo no Beira-Rio pela 27ª rodada do Brasileirão. O Corinthians, por sua vez, tentará se reabilitar diante de sua torcida na Neo Química Arena, enfrentando o Mirassol no mesmo sábado, às 21h (de Brasília).

FICHA TÉCNICA

Internacional 1 x 1 Corinthians

Competição: Campeonato Brasileiro (26ª rodada)

Local: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Data: 1º de outubro de 2025 (quarta-feira)

Horário: 19h30 (de Brasília)

Público: 12.825 torcedores

Renda: R$ 202.661,00

Arbitragem:

  • Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
  • Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
  • VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)

Cartões Amarelos:

  • Internacional: Óscar Romero, Emiliano Díaz, Carbonero e Bruno Henrique
  • Corinthians: Raniele, Cacá, José Martínez, Dorival Júnior, Maycon e Ángel Romero

Cartões Vermelhos:

  • Corinthians: Dorival Júnior

Gols:

  • Corinthians: Gui Negão (9′ do 1ºT)
  • Internacional: Carbonero (56′ do 2ºT)

Internacional:

  • Goleiro: Anthoni
  • Defensores: Aguirre (Bruno Gomes), Vitão, Juninho e Bernabei
  • Meio-campistas: Luis Otávio (Thiago Maia), Bruno Henrique, Óscar Romero (Mercado) e Alan Patrick (Ricardo Mathias)
  • Atacantes: Carbonero e Borré (Bruno Tabata)
  • Técnico: Ramón Díaz

Corinthians:

  • Goleiro: Hugo Souza
  • Defensores: Cacá, Gustavo Henrique e Fabrizio Angileri
  • Meio-campistas: Matheuzinho, Raniele (Maycon), Ryan (José Martínez), Breno Bidon (André Luiz) e Hugo (Matheus Bidu)
  • Atacantes: Vitinho e Gui Negão (Romero)
  • Técnico: Dorival Júnior

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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