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Santos vence o Coritiba fora de casa e avança às oitavas da Copa do Brasil

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O Santos garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil ao vencer o Coritiba por 2 a 0 na noite desta quarta-feira, no estádio Couto Pereira, em Curitiba. Com boa atuação e participação decisiva de Neymar, o time paulista confirmou a classificação para a próxima fase do torneio e voltou a disputar as oitavas depois de três anos.

Os gols da vitória santista foram marcados por Gabriel Bontempo e Adonis Frías. No primeiro, Neymar participou diretamente da jogada ao servir Bontempo, que finalizou com precisão para abrir o placar. Depois, Frías apareceu bem pelo alto para ampliar a vantagem e consolidar o resultado que colocou o Peixe entre os 16 melhores da competição.

A partida também teve peso especial por causa de Neymar. O confronto foi o penúltimo compromisso do camisa 10 antes da divulgação da lista final da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026. O atacante está na pré-lista e ainda fará mais um jogo antes do anúncio oficial do técnico Carlo Ancelotti, marcado para segunda-feira, às 17h, horário de Brasília.

Em campo, o Coritiba começou tentando pressionar e criou a primeira boa chegada aos oito minutos, quando Lucas Ronier aproveitou uma sobra na entrada da área e obrigou Brazão a fazer boa defesa. Pouco depois, aos 13, os donos da casa chegaram a balançar as redes com Bruno Melo, de cabeça, após cobrança de falta de Josué, mas o lance foi invalidado por impedimento.

O Santos respondeu e passou a ser mais eficiente. Aos 16 minutos, Barreal tentou de fora da área, mas mandou para fora. Três minutos depois, a equipe abriu o marcador. Gabriel Bontempo recebeu pela esquerda, cortou para o meio e bateu colocado, sem dar chances ao goleiro Pedro Rangel.

A equipe santista seguiu melhor e ampliou aos 27 minutos. Igor Vinícius levantou a bola na área e Adonis Frías subiu livre para cabecear firme e fazer o segundo gol do Peixe. Já nos acréscimos da primeira etapa, Neymar ainda tentou marcar o dele em chute de longe, mas a bola passou por cima.

No segundo tempo, o Santos administrou a vantagem e controlou o ritmo do jogo. Logo no primeiro minuto, Neymar quase ampliou, mas finalizou para fora com a perna esquerda. O Coritiba tentou reagir em algumas investidas, principalmente com Pedro Rocha e Lucas Taverna, mas não conseguiu transformar a pressão em gol.

Na reta final, Pedro Rocha ainda teve uma das últimas oportunidades do time paranaense ao invadir a área e bater para o gol, mas acertou a rede pelo lado de fora. Sem força para mudar o cenário, o Coritiba acabou se despedindo da Copa do Brasil, enquanto o Santos celebrou o retorno às oitavas de final, fase que não disputava desde 2023.

Agora, o adversário do Santos na próxima etapa será conhecido em sorteio da Confederação Brasileira de Futebol, ainda sem data confirmada. Em 2024, o clube não participou da competição e, no ano passado, foi eliminado ainda na terceira fase.

O próximo compromisso do Santos será novamente diante do Coritiba, desta vez pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida está marcada para domingo, 17 de maio, às 11h, na Neo Química Arena, em São Paulo.

FICHA TÉCNICA
Coritiba 0 x 2 Santos
Competição Fase Copa do Brasil (jogo de volta da quinta fase)
Partida Local Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)
Partida Data 13 de maio de 2026 (quarta-feira)
Partida Horário 19h30 (de Brasília)
Partida Público 36.100 pessoas
Partida Renda R$ 2.076.073,00
Cartões Amarelos Tiago Cóser (Coritiba); Adonis Frías, Escobar e Gabriel Menino (Santos)
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem Árbitro Ramon Abatti Abel (SC)
Arbitragem Assistentes Guilherme Dias Camilo (MG) e Alex dos Santos (SC)
Arbitragem VAR Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Gols 19′ do 1ºT Gabriel Bontempo (Santos)
Gols 27′ do 1ºT Adonis Frías (Santos)
Coritiba Escalação Pedro Rangel; Tinga (Felipe Jonatan), Jacy, Tiago Cóser (Lucas Taverna) e Bruno Melo; Sebastián Gómez, Vini Paulista (Gustavo) e Josué; Lucas Ronier (Renato Marques), Lavega (Breno Lopes) e Pedro Rocha. Técnico: Fernando Seabra
Santos Escalação Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres e Escobar; João Schmidt (Willian Arão), Oliva, Bontempo (Gustavo Henrique) e Barreal (Gabriel Menino); Neymar (Gabigol) e Rollheiser (Rony). Técnico: Cuca

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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