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São Paulo vence Chapecoense e é novo líder do Brasileirão

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O São Paulo garantiu uma vitória importante contra a Chapecoense em partida disputada no Canindé, com o placar de 2 a 0. O jogo, que começou arrastado devido ao gramado encharcado, ganhou intensidade no segundo tempo, onde o Tricolor Paulista construiu seu resultado e garantiu os três pontos.

Primeiro Tempo

O início do confronto foi marcado pela dificuldade de ambas as equipes em desenvolver suas jogadas. O São Paulo sofria com o gramado pesado, que dificultava a troca de passes e o envolvia na marcação da Chapecoense. A equipe catarinense, por sua vez, tentava explorar contra-ataques, mas sem sucesso em criar oportunidades claras.

Após a pausa para hidratação, o técnico Roger Machado fez os ajustes necessários, e o Tricolor passou a dominar a reta final da primeira etapa. Aos 36 minutos, Lucas Ramon arriscou um chute de fora da área, obrigando o goleiro Léo Vieira a realizar uma boa defesa. Pouco depois, aos 39, Calleri invadiu a área e cruzou para Luciano, que finalizou no alto, mas Léo Vieira novamente se esticou para espalmar. A Chapecoense também assustou nos acréscimos, com Everton chutando no canto, mas o goleiro Rafael defendeu.

Segundo tempo

O São Paulo retornou do intervalo com uma postura ainda mais agressiva e não demorou para abrir o placar. Logo aos dois minutos do segundo tempo, Marcos Antônio fez um ótimo cruzamento da intermediária para Luciano, que cabeceou firme no canto, colocando os mandantes em vantagem.

A intensidade tricolor resultou na ampliação do placar aos 14 minutos. Luciano recebeu de Marcos Antônio dentro da área, ajeitou para trás, e Bobadilla, após driblar um marcador, bateu rasteiro. A bola desviou e sobrou nos pés de Calleri, que apenas empurrou para o fundo das redes, consolidando a vitória parcial.

A equipe paulista quase marcou o terceiro em mais duas ocasiões. Aos 19 minutos, Bobadilla chutou da entrada da área e acertou o travessão. Já aos 26, Marcos Antônio chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado por impedimento.

Próximos compromissos

São Paulo:

  • Bragantino x São Paulo (6ª rodada do Brasileirão)
  • Data e horário: 15/03 (domingo), às 20h30 (de Brasília)
  • Local: Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP)

Chapecoense:

  • Chapecoense x Grêmio (6ª rodada do Brasileirão)
  • Data e horário: 16/03 (segunda-feira), às 20h (de Brasília)
  • Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO 2 x 0 CHAPECOENSE
Competição Campeonato Brasileiro (5ª rodada)
Local Canindé, em São Paulo (SP)
Data 12 de março de 2026 (quinta-feira)
Horário 20h (de Brasília)
Público 13.493 torcedores
Renda R$ 542.204,00
Arbitragem
Árbitro Lucas Casagrande (PR)
Assistentes Guilherme Dias Camilo (MG) e Weber Felipe Silva (PR)
VAR Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ)
Gols
São Paulo Luciano, aos 2′ do 2ºT
São Paulo Calleri, aos 14′ do 2ºT
Cartões
Amarelos Rafael Carvalheira (Chapecoense)
Vermelhos Nenhum
São Paulo Chapecoense
Rafael Léo Vieira
Lucas Ramon Everton (Rubens)
Alan Franco (Arboleda) Victor Caetano
Sabino Bruno Leonardo
Wendell (Nicolas) Eduardo Doma
Danielzinho Walter Clar
Marcos Antônio Camilo
Bobadilla (Pablo Maia) Rafael Carvalheira (João Vitor)
Lucas (Cauly) Jean Carlos (Giovanni Augusto)
Luciano (André Silva) Marcinho (Ítalo)
Calleri Bolasie (Neto Pessoa)
Técnico: Roger Machado Técnico: Gilmar Dal Pozzo

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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