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Vasco vence o Botafogo e Fluminense conquista a Taça Guanabara antecipadamente

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O Fluminense garantiu o título da Taça Guanabara neste sábado, mesmo sem entrar em campo, graças à vitória do Vasco da Gama por 2 a 0 sobre o Botafogo, em clássico disputado no Estádio de São Januário. Coutinho e Brenner foram os responsáveis pelos gols que carimbaram a conquista tricolor, pela sexta rodada da primeira fase do Campeonato Carioca.

Com 12 pontos, o Fluminense lidera o Grupo A e assegura a taça com uma rodada de antecedência. O Botafogo, que optou por uma formação alternativa, permanece com nove pontos no Grupo B. Já o Cruz-Maltino encerrou sua participação na fase de grupos com 11 pontos no Grupo A.

O jogo

A partida em São Januário teve seu início atrasado em 30 minutos devido às fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro. O gramado encharcado dificultou a criação de jogadas para ambas as equipes, mas o Vasco demonstrou maior ímpeto desde o começo.

Na primeira etapa, o time da Colina criou as melhores oportunidades com Andrés Gómez e Brenner, enquanto o Botafogo, recheado de reservas, teve apenas uma chance perigosa com Kadir. A situação do Alvinegro complicou-se aos 40 minutos, quando Marquinhos foi expulso após receber o segundo cartão amarelo por falta em Nuno Moreira.

Antes do intervalo, o Vasco esteve perto de abrir o placar. Coutinho cobrou uma falta que exigiu grande defesa de Léo Linck. No rebote, Lucas Piton teve o chute bloqueado por Bastos. Na sequência, em cobrança de escanteio de Coutinho, Léo Linck se atrapalhou, e Barboza salvou em cima da linha.

Segundo tempo

A superioridade vascaína se traduziu em gols logo no início do segundo tempo. Aos três minutos, Coutinho cruzou, Bernando Valim furou a jogada e Brenner dominou com tranquilidade para estufar as redes, abrindo o placar para o Vasco.

Mantendo a pressão, o Cruz-Maltino ampliou sua vantagem. Coutinho lançou Andrés Gómez, que deu um passe para Brenner. O atacante foi derrubado por Bastos dentro da área, e o árbitro assinalou o pênalti. Coutinho converteu a cobrança com precisão, fazendo 2 a 0.

O Botafogo ensaiou uma reação com Barrera, que chegou a pedir pênalti por um toque de mão de Paulo Henrique, mas a arbitragem mandou o jogo seguir. Com a vantagem consolidada, o Vasco cadenciou o ritmo e garantiu a importante vitória, que, indiretamente, celebrou o Fluminense.

Próximos desafios nas quartas de final e no Brasileirão

Com os resultados, o Vasco enfrentará o Volta Redonda nas quartas de final do Campeonato Carioca. O Botafogo, por sua vez, terá pela frente o Flamengo na próxima fase do torneio.

Ambos os clubes também têm compromissos pelo Campeonato Brasileiro no meio da semana:

  • O Vasco da Gama receberá o Bahia na quarta-feira, às 21h30, em São Januário.
  • O Botafogo medirá forças com o campeão da Taça Guanabara, Fluminense, na quinta-feira, às 19h30, no Maracanã.
FICHA TÉCNICA
Vasco 2 x 0 Botafogo
Competição Campeonato Carioca
Local São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Data 8 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 18h (de Brasília)
Ocorrências Disciplinares
Cartões Amarelos Marquinhos, Robert Renan (Botafogo)
Cartões Vermelhos Marquinhos e Allan (Botafogo)
Arbitragem
Árbitro Yuri Elino Ferreira da Cruz (RJ)
Assistentes Luiz Claudio Regazone (RJ) e Thayse Marques Fonseca (RJ)
VAR Philip Georg Bennett (RJ)
Gols da Partida
Minuto Autor Clube
3′ do 2ºT Brenner Vasco
17′ do 2ºT Coutinho Vasco
Escalação do Vasco Escalação do Botafogo
Léo Jardim;
Puma Rodríguez, Saldívia, Robert Renan e Lucas Piton;
Thiago Mendes (Tchê Tchê), Barros e Coutinho (Rojas);
Andrés Gomez, Brenner (Marino Hinestroza) e Nuno Moreira (GB).

Técnico: Fernando Diniz

Léo Linck;
Bastos, Alexander Barboza (Bernardo Valim) e Justino;
Kadu, Marquinhos, Barrera (Artur Novaes) e Gabriel Abdias;
Matheus Martins (Arthur Izaque), Kadir e Nathan Fernandes (Kauan Toledo).

Técnico: Martín Anselmi

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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