Mato Grosso
Corpo de Bombeiros intensifica combate aos incêndios na Serra do Roncador e Parque Estadual da Serra Azul
Mato Grosso
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) intensificou, nesta sexta-feira (5.9), as ações de combate aos incêndios florestais que atingem o Parque Estadual da Serra Azul e a região da Serra do Roncador, no município de Barra do Garças. A operação foi reforçada com o incremento do efetivo, instalação de uma Sala de Situação na serra, além do envio de aeronaves especializadas.
De acordo com o comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra, foi elaborado um planejamento estratégico para viabilizar o emprego de três aeronaves nas operações realizadas na região de Barra do Garças, sendo duas que já atuam na Serra do Roncador e uma no Parque Estadual da Serra Azul.
O uso de aviões no lançamento de água é considerado uma estratégia fundamental para conter focos de incêndio em áreas de difícil acesso por terra.
“O emprego dos meios aéreos permite uma resposta mais rápida e direcionada, otimizando os recursos e garantindo maior segurança às equipes que atuam em solo. E essa atuação conjunta com outras instituições permite ampliar nossa capacidade de resposta e otimizar os recursos disponíveis”, afirmou o coronel.
Além do reforço aéreo, o comandante determinou a instalação temporária de uma Sala de Situação nas proximidades da Serra do Roncador. O objetivo é coordenar as ações operacionais em tempo real, realizar briefings com as equipes em campo e ajustar rapidamente as estratégias de combate conforme necessário.
A estiagem prolongada, combinada a ventos fortes e altas temperaturas, tem acelerado a propagação das chamas, exigindo uma resposta rápida e contínua para proteger a vegetação e minimizar os impactos sobre a fauna local.
“Todas as ações são acompanhadas pelo Batalhão de Emergências Ambientais, em Cuiabá, mas a presença de uma Sala de Situação no local permite uma coordenação mais ágil e eficaz das equipes em campo. É uma estratégia que já demonstrou bons resultados no Pantanal, onde, até o momento, os registros de focos ativos têm se mantido baixos”, afirmou.
Essas ações são reforçadas com o apoio dos produtores da região, que têm contribuído significativamente com os esforços, disponibilizando brigadistas e maquinários como tratores, retroescavadeiras, pás carregadeiras e caminhões-pipa, além de apoio logístico para atuar na operação.
Já no Parque Estadual da Serra Azul, as equipes do Corpo de Bombeiros Militar atuam de forma ininterrupta desde a madrugada de quinta-feira (04.09). A operação conta com o apoio de brigadistas do parque, da Defesa Civil e de militares do Exército, que prestam suporte logístico às equipes em campo. O combate aéreo, já empregado na região, segue sendo fundamental para conter os focos.
A gerente do Parque Estadual da Serra Azul, Cristiane Schnepfleitner, acompanha de perto toda a operação e reforçou que, neste momento, o mais importante é o apoio da população na prevenção de novos focos, já que o combate está sendo realizado pelas equipes especializadas.
“Neste momento, precisamos que a população tenha consciência. Que você, voluntário, nos ajude para que não tenhamos mais focos no parque. Se você flagrar alguém colocando fogo no lixo, na beirada da estrada, denuncie. Esse é o melhor apoio que podemos dar ao Parque para que não tenhamos mais focos”, afirmou.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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