Mato Grosso
Encontro reúne comunidades quilombolas de Mato Grosso no espaço do Museu de História Natural
Mato Grosso
Comunidades quilombolas participam do “1º Encontro de Quilombos no Museu”, desta quarta (1º.10) a sexta-feira (3), no espaço do Museu de História Natural de Mato Grosso, em Cuiabá. As atividades são abertas ao público e o acesso é gratuito.
Com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer via emenda parlamentar, o evento conta com apresentações culturais, feira de produtos da roça e artesanato, e oficinas de capoeira, tranças e pinturas corporais.
Além disso, o Encontro envolverá painéis de diálogo, cujas demandas levantadas serão apresentadas às autoridades. Entre os temas dos debates estarão práticas sustentáveis, quais as necessidades e maiores dificuldades no âmbito de segurança, saúde e educação.
A abertura do evento ocorre na quarta-feira (1º), às 17h, com apresentações culturais das comunidades quilombolas. Nos demais dias, a programação prossegue das 8h às 17h, com painéis de discussão, exposições de banners com trabalhos acadêmicos, vídeos e fotografias.
As atividades buscam fortalecer os laços entre as comunidades, impulsionar práticas sustentáveis e dar visibilidade, permitindo uma reflexão sobre a identidade e a luta dos povos quilombolas.
Participam do encontro comunidades quilombolas vindas dos municípios de Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger, Barra do Bugres, Porto Estrela, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.
1º Encontro de Quilombos no Museu é uma realização do Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS).
Sobre os quilombos
Os quilombos são comunidades formadas por pessoas negras que resistiram à escravidão e construíram modos de vida baseados na liberdade, na coletividade e na preservação cultural.
Hoje, essas comunidades detêm reconhecimento legal (CF/88, Art. 68) como remanescentes de quilombo, garantindo direitos territoriais e culturais.
Segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) existem 78 comunidades quilombolas com registro em Mato Grosso, no entanto, é conhecido que existem mais de 200 Quilombos no Estado.
(Com informações da Assessoria)
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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