Mato Grosso
Governador anuncia delegada para chefiar Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres
Mato Grosso
O governador Mauro Mendes anunciou, nesta quarta-feira (10.12), a delegada da Polícia Civil de Mato Grosso, Mariell Antonini, para chefiar o Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.
“Mariell atua em Mato Grosso há muitos anos nesse tema de violência contra a mulher. Tem grande experiência para ajudar nessa articulação e ser uma porta-voz dedicada, exclusivamente, a esta política de combate em Mato Grosso. Pode ter certeza que nós não vamos descansar para que possamos proteger as mulheres de nosso Estado”, afirmou o governador Mauro Mendes.
Mariel possui 10 anos de experiência no enfrentamento da violência doméstica e atualmente lidera a Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher da Polícia Civil, responsável pelas ações desenvolvidas pelas delegacias e articulava políticas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas em todo o Estado.
“Agradeço a confiança depositada. Mato Grosso tem um caminho sedimentado na política de combate à violência contra a mulher. Com a criação desse gabinete, haverá um fortalecimento dessa política e o desenvolvimento de novas ações voltadas tanto à prevenção, quanto ao enfrentamento da violência contra a mulher. Muito já foi feito, e agora teremos um poder maior de articulação e de governança”, destacou a delegada.

O objetivo do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres é integrar ações entre as secretarias e órgãos do governo, para reforçar o combate à violência contra a mulher e fortalecer a rede de proteção às vítimas no Estado.
Como chefe do Gabinete, a delegada Mariell Antonini coordenará as ações dos órgãos estaduais, como as Secretarias de Estado de Segurança Pública (Sesp) e de Assistência Social e Cidadania (Setasc), a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Mauro Mendes lembrou que o Estado já tem muitas ações executadas de combate à violência contra a mulher, como a ampliação da Patrulha Maria da Penha e o lançamento dos aplicativos SOS Mulher e Botão do Pânico.
“É um assunto que incomoda a todos nós que aqui estamos. A violência doméstica está acontecendo muito aqui no Brasil, e aqui em Mato Grosso não é diferente. O governo tem tomado muitas medidas, muitas ações que estão sendo feitas pelos órgãos do Estado e vamos tomar quantas forem necessárias e possíveis para proteger as nossas mulheres”, concluiu o governador.
Confira as ações de violência já executadas pelo Estado
Em 2025, o Governo de Mato Grosso já investiu R$ 93,4 milhões em ações de combate à violência contra a mulher. Além disso, desde 2019, o Governo do Estado mantém políticas com ações de prevenção, repressão e assistência às mulheres vítimas de violência, entre as quais estão:
- Criação do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres;
- Criação da Coordenadoria de Políticas de Enfrentamento à Violência de Gênero;
- Criação da Secretaria Adjunta de Políticas Públicas para as Mulheres;
- Criação da Sala Lilás;
- Criação da Casa de Eurídice;
- 100% de resolução dos feminicídios;
- Implantação do Plantão 24 Horas de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Sexual;
- Implantação do Botão do Pânico e do aplicativo SOS Mulher;
- Ampliação da Patrulha Maria da Penha;
- Ampliação do número de delegacias e núcleos especializados;
- Implantação do programa SER Família Mulher, auxílio-moradia de R$ 800;
- Implantação do programa SER Família Mulher na Comunidade;
- Ampliação da rede de proteção e monitoramento eletrônico dos agressores;
- Ampliação das ações de comunicação para prevenção à violência doméstica;
- Oferta de atendimento psicológico;
- Deflagração da Operação Shamar;
- Capacitação das forças de segurança;
- Implantação na grade curricular do “combate à violência doméstica” de forma interdisciplinar no ensino médio das escolas estaduais;
- Publicação do Plano Estadual de Metas para Enfrentamento da violência doméstica e familiar.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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