Mato Grosso
Inscrições abertas para curso gratuito de educação em patrimônio cultural
Mato Grosso
Estão abertas as inscrições para o curso gratuito de educação patrimonial “Conhecer para Preservar”, que será oferecido entre os dias 6 de fevereiro e 10 de abril deste ano, em formato híbrido (presencial e virtual). Com carga horária total de 110 horas e certificação, a formação tem foco educativo no campo do patrimônio cultural.
A capacitação é uma das atividades previstas no edital “Ações Formativas em Patrimônio Histórico e Museológico”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab). As atividades serão executadas pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Ação Cultural, que foi selecionada no edital.
Ao todo, são 160 vagas disponíveis, direcionadas, preferencialmente, para profissionais de museus e espaços culturais, professores, estudantes, gestores e agentes culturais e comunitários.
Para a modalidade presencial são ofertadas 40 vagas. As outras 120 vagas são para aulas em ambiente virtual, no modelo de Educação à Distância (EaD).
Entre as vagas da modalidade presencial, o curso oferece 20 bolsas com ajuda de custo destinadas exclusivamente a participantes residentes no interior de Mato Grosso, com exceção dos municípios da Baixada Cuiabana. As diárias têm como finalidade custear despesas de deslocamento, alimentação e permanência durante os encontros presenciais realizados em Cuiabá.
A programação contempla aulas teóricas e práticas, visitas técnicas, atividades de campo e elaboração de trabalho final. Entre os temas a serem abordados estão educação patrimonial, museologia, memória social, políticas públicas de cultura, diversidade cultural e patrimônio histórico.
De acordo com o superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico da Secel, Robinson de Carvalho Araujo, o curso vai qualificar os participantes para atuar na preservação, valorização e mediação do patrimônio material e imaterial.
“O curso visa preparar uma geração de mato-grossenses capazes de reconhecer e valorizar o patrimônio cultural do Estado, multiplicando este conhecimento para as gerações futuras, o que irá colaborar sobremaneira com a preservação dos bens tombados e registrados da nossa região”, explica Robinson.
Inscrições e processo seletivo
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 24 de janeiro, exclusivamente por meio de formulário online (link aqui).
O processo seletivo observará critérios técnicos, territoriais e de ações afirmativas. Mais informações sobre os critérios, bem como do projeto pedagógico, estão disponíveis no edital do curso (veja aqui).
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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