Mato Grosso
Memorial emociona visitantes na estreia do Espaço MP por Elas
Mato Grosso
“Parece que elas estão vivas aqui dentro.” A frase da manicure Vânia Leite de Magalhães escapou enquanto seus olhos marejados percorriam as fotografias de mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Ao entrar no Espaço MP por Elas, ela se viu novamente atravessada por memórias e dores. “O que está acontecendo com esses homens?”, questionou, diante de uma estatística que assombra: o Brasil registra, em média, quatro feminicídios por dia.Vânia contou que o acolhimento oferecido no espaço foi o que mais a tocou. “Muitas mulheres precisam disso neste momento que estamos vivendo no mundo”, disse, emocionada. Ela revelou ter sido vítima de violência física e verbal e descreveu a superação como um renascimento. “Sair de uma situação dessas é libertador. Nós, mulheres, precisamos acordar enquanto há tempo. Buscar independência profissional, conhecimento, amor-próprio. É disso que precisamos”, apontou a manicure, que trabalha em um salão de beleza no Pantanal Shopping.O Espaço MP por Elas, inaugurado nesta quarta-feira (18) no piso 1 do Pantanal Shopping, em Cuiabá, permanecerá aberto ao público até 17 de abril. A iniciativa marca o início da temporada 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) em parceria com diversas entidades. A sala reúne ações de orientação, conscientização e sensibilização para o enfrentamento da violência doméstica, além de atividades de acolhimento e incentivo à autonomia feminina.A esteticista Mariana Silva Crusat também se surpreendeu ao passar pelo local. Ela conta que observou a exposição, aproximou-se do totem, viu a programação e escaneou o QR Code para conhecer as oficinas. “Pensei: deixa eu ver do que se trata. Achei muito interessante e aproveitei para entrar e conhecer. Pretendo voltar para participar da programação”, contou.Entre as visitantes também esteve a delegada Mariel Antonini, secretária-chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres de Mato Grosso. Para ela, o projeto tem força simbólica e social. “É uma iniciativa maravilhosa que honra a memória de mulheres que foram vítimas de feminicídio em seus lares e, ao mesmo tempo, oferece à sociedade um canal de diálogo e informação para ajudar outras mulheres a romper o ciclo da violência”, declarou. Ao conhecer as atividades, parabenizou o Ministério Público por fomentar “memória, reflexão e portas abertas para quem enfrenta a violência dentro de casa”.A programação do espaço se estende até 17 de abril, sempre das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, com a exposição permanente do Memorial Observatório Caliandra. Nos dias 19 e 20 de março, o local será ponto de inscrição do Projeto Lutadoras, realizado pela Secretaria Municipal da Mulher de Cuiabá em parceria com a 21ª Companhia Independente da Polícia Militar. No dia 24, das 14h às 16h, será oferecida a Oficina de Defesa Pessoal – Krav Maga, voltada para técnicas básicas de autoproteção e fortalecimento da autoconfiança.No dia 25, a partir das 17h, o espaço recebe o “Talk Show MP por Elas”, com apresentação musical do Quarteto do Sesi, cena teatral e debate com a atriz e ativista Luiza Brunet, a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, a presidente da Câmara da Mulher da Fiemt, Ana Cássia Rangel, e mediação da jornalista Jaqueline Najorks.A programação segue com oficinas voltadas à autonomia econômica e ao bem-estar. No dia 26, das 14h às 18h, ocorre a oficina Hydralabial, Buço e Depilação Facial, realizada em parceria com a Prefeitura de Cuiabá. No dia 27, a partir das 14h, será a vez da Oficina de Tranças – Projeto Amarracabelo, que estimula criatividade, autoestima e geração de renda.O dia 30 traz uma experiência prática em robótica, em parceria com a Fiemt, a o Serviço Social da Indústria (Sesi-MT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai MT), aproximando mulheres do universo da tecnologia. Já no dia 31, das 12h às 20h, será realizada a oficina de Brow Lamination e Design de Sobrancelhas, com certificação.No dia 1º de abril, às 11h, ocorre o workshop “Mulher que se Nutre, Mulher que Floresce – Nutre Mais Sesi-MT”, direcionado à qualidade de vida e rotina saudável. Já nos dias 2, 6 e 7 de abril, a oficina Marketing 360 abordará tráfego e resultados. No dia 9, das 13h às 16h, ocorre o curso de Elétrica Básica.Confira aqui a programação oficial do Espaço MP por Elas.
Para participar das oficinas, inscreva-se aqui ou pelo QR Code ao lado.A iniciativa é realizada em parceria com Fiemt, Sesi-MT, Águas Cuiabá, Energisa Mato Grosso, Amaggi, Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Pantanal Shopping, Monza Tintas, Sofisticato, Janaína Figueiredo – Arquitetura e Interiores, e Roberta Granzotto Decor.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos
“Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.
Inspiração e metodologia
O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.
O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.
Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.
A voz que não se cala
Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”
Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.
Sobre a capacitação
A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.
O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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