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Ciência chegando mais longe: aos jovens de MT que mais precisam

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A negação da ciência é um risco que atravessa o nosso tempo. Ideias medievais, sem qualquer base de conhecimento, têm sido propaladas irresponsavelmente, fragilizando políticas públicas, atrasando descobertas e comprometendo vidas. Um verdadeiro ataque ao saber. No entanto, a ciência é e sempre foi chama que ilumina ignorâncias e faz o mundo girar.

É preciso ainda dizer que, quando a gente se refere à ciência, isso vai muito mais além das tradicionais pesquisas em laboratórios, dos jalecos brancos. Está no cotidiano, na forma como pensamos soluções para problemas reais, como organizamos saberes tradicionais e como usamos o conhecimento para transformar a vida em comunidade.

Foi pensando neste contexto que o governo federal lançou em 2024 o programa Mais Ciência na Escola. A proposta vem para valorizar a busca pelo saber, desde cedo, e oferecer autonomia a jovens estudantes, para que compreendam que cada um deles é um cientista em potencial, um ser capaz de interpretar sua própria realidade, do lugar em que vive para o mundo.

Em janeiro deste ano, recebemos com entusiasmo a notícia da aprovação do LabMaker voltado para os povos tradicionais, quilombolas e indígenas, neste programa de iniciativa do Governo Lula, desenvolvido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pelo Ministério da Educação.

O Mais Ciência na Escola em Mato Grosso teria um viés decolonial, ou seja, partiria não lá de cima, mas de saberes populares, das realidades locais e sua complexidade, envolvendo jovens estudantes historicamente negligenciados.

A Unemat foi a instituição proponente e obtivemos o aval da Seduc-MT, para seguir adiante, com recursos do CNPq.

Hoje, já implantamos os 15 LabMakers, em diversos territórios do Estado de Mato Grosso e alguns deles em lugares de difícil acesso.

Muitas vezes, para chegar até lá, é preciso ir de barco pelo rio, ou por estrada de difícil acesso. O esforço é grande; a compensação é maior, quando vemos que os bolsistas dessas áreas estão se integrando e desenvolvendo experiências científicas.

Nesses laboratórios, há tecnologia inovadora, impressoras 3D, notebooks, laptops, televisores e materiais diversos, que permitem vivenciar a ciência de forma prática, com a mão na massa.

É importante ver a ciência acontecendo na prática, onde muitos ainda desacreditam: estudantes aprendendo a produzir sabão para uso e comércio; organizando jornal para relatar as próprias histórias; entrevistando anciãos para registrar e valorizar o saber ancestral; fazendo o currículo e a própria biografia, para se reconhecer.

São muitas as iniciativas que nos encantam e nos emocionam.

A interiorização da ciência em Mato Grosso, proporcionada por esse projeto, abre caminhos. Esses jovens, amanhã, estarão fazendo história: entrando em universidades públicas, cursando mestrados e doutorados, ocupando espaços no mercado de trabalho, conscientes da missão cidadã que aprenderam passo a passo, acreditando em seu potencial.

Que nunca mais sejamos inconsequentes a ponto de negar a ciência. Que ela siga iluminando trajetórias, apontando saídas e inspirando sonhos. Pois é na utopia que a ciência encontra sua força de ir sempre mais além.

Que essa juventude de Mato Grosso aproveite esta experiência para estruturar uma escada firme, por onde possa ascender, deixando o caminho livre para gerações vindouras.

Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira é Bolsista Produtividade do CNPq e professora da Unemat, idealizadora e coordenadora deste projeto Mais Ciência na Escola em Escolas de Povos Tradicionais, Quilombolas, Indígenas em Mato Grosso

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O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou

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Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.

O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.

Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.

A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.

No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.

E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”

Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.

E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.

E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.

Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.

Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.

O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.

Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.

*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá

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