Opinião
O amor e a coragem de ficar!
Opinião
Por Soraya Medeiros
Há quem pense que amar é apenas sentir: o coração acelerado, o arrepio inesperado, o encanto fácil dos primeiros dias. Mas o amor verdadeiro não se sustenta só no impulso das emoções — ele se constrói, silencioso e persistente, no cotidiano.
Amar é muito mais do que o instante do encontro; é a escolha que se repete nas manhãs comuns, quando o café é posto à mesa, quando o silêncio divide espaço com o jornal ainda dobrado, quando o olhar, mesmo distraído, insiste em permanecer.
Não é difícil amar quando tudo floresce. O desafio está em continuar regando o jardim quando as pétalas caem, quando a rotina pesa e a vida exige mais do que palavras bonitas. Amar é atravessar os dias nublados de mãos dadas, mesmo quando o vento sopra contrário.
Amar é compreender que ninguém é inteiro, que todos carregamos falhas e cicatrizes, e ainda assim decidir ficar. É cuidar do outro em sua ausência de si, é respeitar quando a diferença grita, é permanecer quando seria mais fácil partir. O momento mais difícil na vida de alguém que está ao seu lado é quando a doença chega. É quando você mostra que está ali, com todas as dificuldades, e decide permanecer, segurando a mão da pessoa amada e dizendo que estarão juntos nesta ou em qualquer outra caminhada.
O amor não se revela apenas nas grandes declarações, mas nos gestos discretos, quase invisíveis: no abraço que consola, no ouvido que acolhe, na paciência que se renova. Amar é verbo — e o verbo pede ação.
Por isso, amar não é só sentir. É escolher todos os dias cuidar, respeitar e permanecer. Porque é justamente nos momentos difíceis que o amor mostra sua verdadeira força.
*Soraya Medeiros é jornalista com MBA em Marketing, formação em Gastronomia e certificação como sommelier. Une comunicação, estratégia e enogastronomia.
Opinião
O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.
O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.
Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.
A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.
No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.
E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”
Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.
E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.
E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.
Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.
Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.
O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.
Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.
*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá
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