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Organizações criminosas e o terrorismo têm mais em comum do que se admite

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Por Frederico Murta

A discussão sobre a escalada da criminalidade no Brasil ganhou um novo contorno nas últimas semanas. Cada vez mais, é possível traçar paralelos claros entre o avanço das facções criminosas e as táticas de grupos terroristas pelo mundo. À primeira vista, a comparação pode soar exagerada — mas basta observar como esses grupos operam e o impacto que exercem sobre o Estado e a sociedade para constatar que não há fronteira real entre um e outro. O crime organizado brasileiro já atua sob a mesma lógica.

O termo terrorismo se origina do latim terror, que significa grande medo, alarme ou pânico. Embora o tipo penal vigente no Brasil seja restritivo, em sua essência esse termo não se define apenas pela motivação ideológica, mas também pela capacidade de impor medo coletivo e desafiar o monopólio da força estatal. É exatamente o que as organizações criminosas têm feito em diversos territórios brasileiros.

Criam códigos de conduta, estabelecem fronteiras, limitam o acesso e exercem controle direto sobre serviços básicos, como energia, telefonia e transporte. Isso é domínio territorial. Isso é poder político paralelo.

O que se observa nas comunidades dominadas por facções é a substituição gradual da autoridade do Estado pela autoridade do crime. As barricadas erguidas nas vielas do Rio de Janeiro, as execuções públicas transmitidas em tempo real e o uso de armamento pesado contra forças policiais são exemplos claros de estratégias de intimidação e propaganda.

Essas organizações também compreenderam o valor da comunicação. A título de exemplo, o grupo terrorista mundialmente conhecido — ISIS, ou Estado Islâmico — impõe-se por meio de transmissões ao vivo e da divulgação em massa de vídeos exibindo a execução de reféns.

Da mesma maneira que o terrorismo clássico se utiliza de vídeos e redes de comunicação para disseminar medo, o crime organizado brasileiro vem explorando a narcocultura como forma de propaganda. A romantização da violência e a idolatria de criminosos estão cada vez mais presentes. Clipes de funk exaltando facções, filmes e séries que retratam líderes do tráfico como ícones de resistência — tudo isso contribui para naturalizar a violência e corroer a noção de autoridade pública.

O resultado é devastador: um Estado acuado, uma população refém e uma juventude seduzida por uma narrativa perversa. Enquanto o crime opera com drones, granadas e redes de informação a todo vapor, o poder público ainda insiste em enfrentar essa guerra com estruturas burocráticas e estratégias ultrapassadas.

Reconhecer que há um caráter terrorista nas ações das facções não é apenas uma questão de semântica, mas de estratégia nacional. Ressalto que a simples mudança de nomenclatura também não produziria grandes efeitos.

Seria necessário um reenquadramento legislativo e jurídico, com ampliação das ferramentas de enfrentamento e das possibilidades de cooperação interestadual, fortalecendo o respaldo às forças que atuam na linha de frente. Fingir que enfrentamos uma “criminalidade comum” é fechar os olhos para uma ameaça que já ultrapassou fronteiras e se tornou um problema de soberania e segurança nacional.

Se quisermos evitar que o Brasil entre definitivamente nesse ciclo de dominação e medo, tornando-se oficialmente um narcoestado, precisamos agir com clareza conceitual e coragem política. As facções não são mais apenas quadrilhas. São sistemas. São exércitos informais que se impõem cada vez mais sobre o Estado. E o primeiro passo para vencê-los é reconhecer a dimensão real da ameaça.

Frederico Murta é delegado de Polícia Civil em Mato Grosso e coordenador da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE)

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Elson Ramos coloca nome à disposição e avalia disputa em 2026

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Elson Ramos confirmou que pode entrar de vez na política em 2026. Em entrevista ao PodRevirar, ele contou que essa ideia não é de agora e vem sendo construída há alguns anos, mesmo já sendo uma figura conhecida.

“A gente vem trabalhando isso há algum tempo. Não é fácil sair da vida privada pra pública, mas minha vida já é bem exposta”, disse.

Ele lembrou que, em 2024, chegou perto de disputar como vice-prefeito de Cuiabá, mas a escolha acabou sendo por outro nome.

“Teve essa chance, a gente trabalhou, mas no fim o candidato escolheu outro e não deu certo”, afirmou.

Agora, o cenário é outro. Com as eleições de 2026 se aproximando, o nome de Elson volta a ser discutido dentro do partido e também em conversas com outros grupos políticos.

“Meu nome está à disposição. A gente conversa com outros partidos, pode ter composição ou até disputar uma vaga na Câmara Federal”, explicou.

Segundo ele, tudo ainda está sendo analisado pelo Podemos e pelas lideranças do grupo.

“Agora é hora de conversar, ver o que é melhor. A gente está bem posicionado e confiante”, pontuou.

Mesmo com a possibilidade real de candidatura, Elson mantém os pés no chão.

“Se der certo, deu. Se não der, está tudo certo também. Vou continuar trabalhando e ajudando como sempre fiz”, disse.

Ao falar sobre o que pretende fazer na política, ele deixa claro que o foco é o social, área que, segundo ele, sempre fez parte da sua vida.

“Eu sempre vivi isso. Muita gente me ajudou e eu quero retribuir. Já participei de várias ações com jovens, incentivando a trabalhar e buscar um caminho”, contou.

Para Elson, fazer política é estar perto das pessoas e entender a realidade delas.

“Tem que gostar de gente, sentir o que o outro está passando. Quando você tem isso, você está no caminho certo”, concluiu.

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