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Palmeiras atropela Internacional em espetáculo no Allianz
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Em uma exibição de gala e poder ofensivo, o Palmeiras goleou o Internacional por 4 a 1 na tarde deste sábado, no Allianz Parque, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O grande destaque da partida foi o atacante Vitor Roque, que balançou as redes três vezes, consolidando uma vitória crucial para o Alviverde, que agora mira a ponta da tabela. Lucas Evangelista completou o placar para o time da casa, enquanto Carbonero descontou para os visitantes.
A atmosfera no Allianz Parque foi ainda mais eletrizante com a esperada estreia do meio-campista Andreas Pereira. O camisa 8, recém-chegado, entrou no segundo tempo e foi ovacionado pela torcida palmeirense.
Este confronto marcou o retorno do Palmeiras aos gramados após a pausa para a Data Fifa. A performance dominante sugere que o período de treinamentos e descanso foi bem aproveitado pela equipe, que chega embalada para o importante desafio da próxima quarta-feira, quando enfrentará o River Plate na Argentina, pela partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores.
Situação na tabela: Verdão na cola do líder, Colorado estacionado
Com o triunfo categórico, o Palmeiras saltou para a segunda posição na tabela do Brasileirão, ficando a apenas um ponto do líder Flamengo. O Rubro-Negro, que tem um jogo a mais, ainda entrará em campo neste domingo contra o Juventude. Um eventual tropeço carioca abrirá as portas para o Verdão depender apenas de si para alcançar seu 13º título nacional.
Já o Internacional segue em uma campanha irregular, ocupando a décima colocação. A equipe gaúcha, que no início da temporada era cotada entre os favoritos, precisa encontrar consistência para almejar uma vaga na próxima edição da Libertadores.
Gols e destaques da partida
O Palmeiras não deu chances ao Internacional e abriu o placar logo aos três minutos. Após um rebote da defesa colorada, Felipe Anderson serviu Vitor Roque com precisão cirúrgica, deixando o atacante em posição privilegiada para finalizar com firmeza e superar o goleiro Rochet.
Aos 23 minutos, a vantagem alviverde foi ampliada. Flaco López protagonizou uma jogada individual impressionante, avançando do meio-campo e lançando Facundo Torres. O camisa 10, com inteligência, ajeitou para Vitor Roque apenas empurrar para o fundo das redes, marcando seu segundo gol no jogo.
Antes do intervalo, o Verdão ainda chegaria ao terceiro e quarto gols, consolidando a goleada. Lucas Evangelista aproveitou o rebote de um chute de Felipe Anderson de fora da área e emendou de primeira, balançando as redes. Pouco depois, Vitor Roque completou seu hat-trick, o terceiro gol na partida, ao cabecear para o gol após assistência de Gustavo Gómez, transformando a vitória parcial em um 4 a 0 elástico.
Estreia de Andreas Pereira e consolação colorada
No início da segunda etapa, com o placar já elástico, o auxiliar técnico João Martins promoveu a tão aguardada estreia de Andreas Pereira, que substituiu Lucas Evangelista, um dos artilheiros da noite. O novo reforço foi recebido com festa pela torcida.
Com a larga vantagem, o ritmo do Palmeiras diminuiu no segundo tempo, embora o time ainda buscasse o ataque, mas sem a mesma intensidade da etapa inicial. Foi nesse cenário que o Internacional conseguiu seu gol de honra. Em um contra-ataque rápido, Carbonero disparou, invadiu a área e, mesmo pressionado por Khellven e Bruno Fuchs, finalizou com potência, sem chances para Weverton, selando o placar em 4 a 1.
A vitória não apenas coloca o Palmeiras em uma posição de destaque no Brasileirão, mas também injeta confiança no elenco para os desafios decisivos que se avizinham na Copa Libertadores.
Ficha Técnica
Palmeiras 4 x 1 Internacional
Competição: Campeonato Brasileiro (23ª rodada)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 13 de setembro de 2025 (sábado)
Horário: 18h30 (de Brasília)
Público: 39.640 torcedores
Renda: R$ 2.976.130,60
Arbitragem
- Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR)
- Assistentes: Nailton Júnior de Sousa Oliveira (CE) e Alessandro Rocha de Matos (BA)
- VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
Cartões Amarelos
- Palmeiras: Gustavo Gómez
- Internacional: Vitinho, Alan Rodríguez
Gols:
Palmeiras: Vitor Roque, aos 3, aos 23 e aos 42 minutos do 1º tempo, Lucas Evangelista, aos 28 minutos do 1º tempo
Internacional: Carbonero, aos 26 minutos do 2º tempo
Palmeiras: Weverton; Khellven, Murilo, Gustavo Gómez (Bruno Fuchs) e Piquerez; Aníbal Moreno, Lucas Evangelista (Andreas Pereira), Felipe Anderson (Raphael Veiga) e Facundo Torres; Vitor Roque (Bruno Rodrigues) e Flaco López (Sosa). Técnico: João Martins (auxiliar).
Internacional: Rochet; Aguirre, Vitão, Juninho e Victor Gabriel; Thiago Maia, Alan Rodríguez e Ala Patrick; Vitinho (Alan Benítez), Carbonero e Ricardo Mathias (Raykkonen). Técnico: Roger Machado.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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