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Cruzeiro vence Bahia de virada e retoma vice-liderança do Brasileirão

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Em um confronto eletrizante pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro mostrou força e conquistou uma vitória importante sobre o Bahia por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, nesta segunda-feira. O triunfo garantiu ao time mineiro o retorno à segunda colocação da tabela, superando o Palmeiras.

O jogo começou morno, mas ganhou intensidade na segunda etapa. Foi o Bahia quem abriu o placar aos 20 minutos do segundo tempo. Jean Lucas, com um chute potente de fora da área após receber de Sanabria, acertou o canto direito do goleiro Cássio, incendiando a torcida tricolor.

A resposta do Cruzeiro não demorou. Aos 31 minutos, Matheus Pereira fez uma jogada individual impressionante, driblando dois marcadores antes de chutar na trave. No rebote, o colombiano Sinisterra estava atento e apenas empurrou a bola para as redes, empatando o marcador e dando novo fôlego à Raposa.

A virada celeste veio nos minutos finais da partida, aos 40. Gabigol, recebendo uma cobrança curta de falta na intermediária, demonstrou frieza ao limpar a marcação e desferir um chute fortíssimo, acertando o ângulo direito do goleiro Ronaldo e selando a vitória cruzeirense.

Com este resultado, o Cruzeiro salta para 47 pontos, assumindo a vice-liderança e deixando o Palmeiras, com 46 pontos e dois jogos a mais, para trás. Já o Bahia, apesar do bom desempenho em casa, estacionou nos 36 pontos e permaneceu na quinta posição, vendo a chance de se aproximar do G4 escapar.

Próximos desafios:

O Bahia agora se prepara para enfrentar o Ceará fora de casa pela 24ª rodada do Brasileirão. O confronto será no sábado, 20 de setembro, às 18h30 (de Brasília), na Arena Castelão.

O Cruzeiro, por sua vez, volta a campo no domingo, 21 de setembro, às 20h30, no Mineirão, onde receberá o Red Bull Bragantino em busca de consolidar sua posição na parte de cima da tabela.

Ficha Técnica

Bahia 1 x 2 Cruzeiro

  • Competição: Campeonato Brasileiro, 23ª Rodada
  • Local: Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
  • Data: 15 de setembro de 2025 (segunda-feira)
  • Horário: 20h (de Brasília)

Arbitragem:

  • Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza
  • Assistentes: Daniel Luis Marques e Thiaggo Americano Labes
  • VAR: Thiago Duarte Peixoto

Gols:

  • Bahia: Jean Lucas (20′ do 2ºT)
  • Cruzeiro: Sinisterra (31′ do 2ºT), Gabigol (40′ do 2ºT)

Cartões:

  • Amarelos: Christian (Cruzeiro), Matheus Henrique (Cruzeiro), Gabigol (Cruzeiro); David Duarte (Bahia)

Escalações:

Bahia: Ronaldo; Santiago Arias, Gabriel Xavier, Ramos Mingo e Luciano Juba; Acevedo (Rezende), Jean Lucas e Everton Ribeiro (Rodrigo Nestor); Kayky (Michel Araújo), Sanabria (Cauly) e Willian José (Zé Guilherme). Técnico: Rogério Ceni

Cruzeiro: Cássio; William, Fabrício Bruno (Kauã Prates), Villalba e Kaiki; Lucas Romero, Matheus Henrique, Christian (Arroyo) e Matheus Pereira (Bolasie); Kaio Jorge (Gabigol) e Wanderson (Sinisterra). Técnico: Leonardo Jardim

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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