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Corinthians é goleado pelo Red Bull Bragantino no Paulistão
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O Corinthians sofreu sua primeira derrota no Campeonato Paulista na noite desta quinta-feira, ao ser superado por 1 a 0 pelo Red Bull Bragantino, fora de casa. Em uma partida válida pela segunda rodada, o técnico Dorival Júnior optou por uma escalação alternativa, com diversos reservas, mas a aposta não surtiu o efeito desejado e o Timão viu sua posição na tabela despencar.
A estratégia inicial de Dorival visava testar formações, utilizando uma dupla de ataque com Gui Negão e Pedro Raul. Contudo, a ausência de um meia-armador de ofício, com Dieguinho atuando aberto pela direita e Vitinho deslocado para a esquerda, resultou em um esquema com quatro atacantes que se mostrou ineficaz. O meio-campo corintiano não conseguiu competir, a criação de jogadas ofensivas foi escassa e a defesa sofreu com a pressão adversária. O gol de Jhon Jhon, que selou a vitória do Bragantino, foi apenas um dos lances em que o time paulista esteve vulnerável antes do intervalo.
No segundo tempo, a necessidade de mudança foi evidente. Dorival realizou três substituições logo no início, colocando Bidon, Carrillo e Matheuzinho, e posteriormente lançou Matheus Bidu e Yuri Alberto. Com a entrada dos titulares, o Corinthians apresentou uma melhora significativa em campo, mas uma decisão do treinador acabou por selar o destino da partida.
Além das escolhas no setor ofensivo, a permanência do zagueiro Cacá em campo gerou questionamentos. O jogador, que atuou improvisado como lateral direito no primeiro tempo, retornou à sua posição de origem na segunda etapa, enquanto João Pedro Tchoca foi sacado. Cacá já havia falhado no gol do Bragantino e foi peça-chave nos outros lances perigosos que quase ampliaram o placar, sendo driblado por Jhon Jhon e Mosquera.
Apesar da atuação abaixo do esperado de seu defensor, Dorival Júnior saiu em defesa do atleta na coletiva pós-jogo. ”A presença do Cacá é porque ele vem treinando na função. Não acho que ele fez uma má partida, difícil marcar o jogador que ele marcou. Mesmo assim, nos entregou coisas boas. Sei que talvez não tenha aceitação de boa parte da torcida, mas é um jogador que precisa ser respeitado. Está se dedicando muito para recuperar as melhores condições”, declarou o comandante.
Com a derrota, o Corinthians acumula três pontos e ocupa agora a oitava colocação na tabela do Campeonato Paulista, necessitando de uma recuperação urgente para não comprometer suas chances de classificação.
Próximo desafio
O Timão terá pouco tempo para se reerguer, pois seu próximo compromisso é um clássico de grande rivalidade e importância:
- Corinthians x São Paulo (3ª rodada do Paulistão)
- Data e horário: 18/01 (domingo), às 16h (de Brasília)
- Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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