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Vasco goleia Boavista por 3 a 0 com destaque para Puma Rodríguez
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O Vasco da Gama demonstrou força e se recuperou no Campeonato Carioca ao vencer o Boavista por 3 a 0 na tarde deste domingo, no Estádio Elcyr Resende de Mendonça. O lateral-direito Puma Rodríguez foi o nome do jogo, balançando as redes duas vezes, enquanto Andrés Gomez marcou um golaço para selar a goleada cruzmaltina.
Com o resultado expressivo, o Vasco soma agora sete pontos e ascende à vice-liderança do Grupo A do Estadual. O Boavista, por sua vez, permanece com seis pontos, ocupando a terceira posição no Grupo B.
O jogo
A partida começou com o Vasco buscando controlar a posse de bola, mas o Boavista se mostrava perigoso nos contra-ataques. Logo aos nove minutos, Leandrinho foi lançado e teve sua finalização abafada pelo goleiro Daniel Fuzato. Pouco depois, Berê arriscou um chute cruzado que passou perto da trave. O Cruzmaltino, por sua vez, cercava a área adversária, mas esbarrava na falta de precisão no último passe.
A situação mudou aos 31 minutos, quando, após um cruzamento, a bola sobrou para Tchê Tchê na pequena área. O volante finalizou, mas o goleiro Lucas Maticoli fez um “milagre”, salvando os donos da casa. O panorama da partida se manteve com o Boavista até mesmo balançando as redes em um lance anulado por falta. Contudo, a eficácia vascaína prevaleceu no final da etapa: aos 47 minutos, Puma Rodríguez aproveitou um cruzamento e mandou para o gol, levando o Vasco para o intervalo com a vantagem no placar.
Segundo tempo
O segundo tempo começou agitado. O Boavista quase empatou aos cinco minutos, quando Felipinho, de frente para Daniel Fuzato, demorou a finalizar e chutou em cima do goleiro. O lance animou o time da casa, que cresceu na partida, e Bunão chegou a acertar o travessão aos 13 minutos.
No entanto, a resposta do Vasco foi contundente. Aos 19 minutos, Puma Rodríguez recebeu passe na área e chutou sem chances para Lucas Maticoli, ampliando a vantagem. O revés abalou o Boavista, e o Vasco capitalizou: aos 24 minutos, Lucas Maticoli saiu mal na jogada, Andrés Gomez ficou com a bola e, de longe, encobriu o arqueiro com um belíssimo chute, marcando o terceiro gol vascaíno.
Com uma confortável vantagem, o Cruzmaltino passou a administrar a posse de bola, diminuindo o ritmo da partida. O Boavista ainda tentou reagir, mas sem sucesso. O Vasco manteve o controle do jogo até o apito final, garantindo uma importante vitória fora de casa.
Próximos desafios
O Vasco terá um compromisso pelo Campeonato Brasileiro na próxima quinta-feira, quando visita o Mirassol no Maião, às 20h (de Brasília). Já o Boavista volta a campo pela Série A do Campeonato Carioca na sexta-feira, enfrentando o Sampaio Correa-RJ, às 19h, no Estádio Lourival Gomes de Almeida.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Boavista 0 x 3 Vasco | |
| Competição | Campeonato Carioca |
| Local | Estádio Elcyr Resende de Mendonça, em Bacaxá |
| Data | 25 de janeiro de 2025 (domingo) |
| Horário | 20h30 (de Brasília) |
| Cartões Amarelos | Sandrinho (Boavista); JP (Vasco) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Pierry Dias dos Santos |
| Assistentes | Gustavo Mota Correia e Carlos Henrique Cardoso de Souza |
| VAR | Carlos Eduardo Nunes Braga |
| Gols (Vasco) | Puma Rodríguez (47′ 1ºT), Puma Rodríguez (19′ 2ºT), Andrés Gomez (24′ 2ºT) |
| Escalação Boavista | Lucas Maticoli, Cesinha, Gabriel Caran, Guilherme Lacerda (Bruno Jesus) e Tito; Emanuel, Leandrinho (Kadu) e Isael; Berê (Sandrinho), Brunão e Fellipinho. **Técnico: Gilson Kleina. |
| Escalação Vasco | Daniel Fuzato, Puma Rodríguez, Robert Renan, Saldivia e Lucas Pitón (João Victor); Hugo Moura, Tchê Tchê (Adson) e JP (Thiago Mendes); Andrés Gomez (David), GB (Estrella) e Rojas. Técnico: Fernando Diniz. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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