Mato Grosso
Mato Grosso divulga resultado da fluência leitora 2025 e registra maior avanço em cinco anos
Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) divulgou os resultados da Avaliação de Fluência Leitora – Saída 2025, com foco nos estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental da rede pública estadual e municipal.
Aplicada desde 2021, a avaliação é uma ferramenta diagnóstica que mede a capacidade de leitura em voz alta, considerando precisão, velocidade e prosódia, permitindo classificar os alunos em perfis como pré-leitor, iniciante ou fluente.
Para a Seduc, os dados de 2025 confirmam um avanço histórico na alfabetização em Mato Grosso. O Índice de Fluência Leitora (IFL) apresentou crescimento progressivo nos últimos três anos, saindo de 5,9 em 2023 para 6,2 em 2024 e alcançando 6,9 em 2025, em uma escala que vai até 10.
A participação dos estudantes se manteve acima de 95%, reforçando o engajamento das redes e a confiabilidade dos resultados.
A série histórica também evidencia a redução significativa do número de alunos classificados como pré-leitores nos níveis 1, 2 e 3, ao mesmo tempo em que cresce o percentual de estudantes leitores. Esse desempenho representa o maior avanço registrado nos últimos cinco anos do programa Alfabetiza MT, consolidando uma política pública focada em resultados concretos na aprendizagem.
O grande diferencial de 2025 foi a ampliação da avaliação de fluência leitora para alunos do 5º, 7º e 9º ano do Ensino Fundamental. A iniciativa oferece às escolas mais um instrumento de análise pedagógica, permitindo identificar estudantes que ainda apresentam defasagens na alfabetização e, assim, planejar ações de intervenção e recomposição das habilidades ainda não consolidadas.
Para o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, os resultados da avaliação, divulgados em 13 de fevereiro, evidenciam o impacto direto do esforço coletivo das redes de ensino. Segundo ele, os indicadores confirmam o comprometimento de gestores, professores e equipes pedagógicas com a melhoria da aprendizagem e o fortalecimento das políticas educacionais voltadas à alfabetização.
“Esse crescimento expressivo é fruto direto do regime de colaboração entre o Estado e os municípios. O mérito é dos professores alfabetizadores e das Secretarias Municipais de Educação, que abraçaram a política de alfabetização na idade certa e fazem a diferença dentro da sala de aula”, destacou.
Por fim, ele acrescenta que “os avanços comprovam a força da parceria Estado-Município em Mato Grosso e reafirma o compromisso de seguir investindo em políticas educacionais que garantam a alfabetização na idade certa, assegurando que cada estudante tenha acesso a uma aprendizagem de qualidade desde os primeiros anos escolares”.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos
“Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.
Inspiração e metodologia
O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.
O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.
Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.
A voz que não se cala
Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”
Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.
Sobre a capacitação
A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.
O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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