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Celulose rende R$ 11 bilhões e assume liderança nas exportações industriais

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A celulose tornou-se o principal produto industrial de Mato Grosso do Sul no mercado internacional. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações do segmento renderam aproximadamente R$ 11 bilhões e responderam por 40% da receita industrial obtida pelo Estado no exterior.

Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,11. Os dados são do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), com base no sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, as exportações industriais sul-mato-grossenses alcançaram o recorde de R$ 27,5 bilhões, crescimento de 5% sobre os oito primeiros meses de 2025. A indústria respondeu por 66% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior.

O avanço da celulose está ligado à formação de um polo florestal e industrial no leste de Mato Grosso do Sul, especialmente na região de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. A cadeia conecta os plantios de eucalipto às fábricas, transportadoras, prestadores de serviços e estruturas de armazenamento e escoamento.

As pastas químicas de madeira concentraram 99,4% das exportações do segmento. O resultado demonstra a especialização alcançada pelo Estado, que deixou de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas agropecuárias e passou a abrigar uma das maiores estruturas de transformação de madeira plantada do País.

Para o produtor rural, a expansão abre espaço para contratos florestais, arrendamentos e diversificação de renda. O aproveitamento dessas oportunidades, contudo, depende da proximidade das fábricas, do custo do transporte e do planejamento financeiro de uma cultura com ciclo mais longo que o das lavouras anuais.

A celulose superou o complexo frigorífico, que exportou R$ 9,66 bilhões e respondeu por 35% da receita industrial. A diferença entre as duas cadeias chegou a R$ 1,33 bilhão. Juntas, celulose e carnes concentraram três quartos das vendas industriais externas do Estado.

Outros segmentos também contribuíram para o resultado. As exportações de óleos vegetais renderam R$ 2,97 bilhões; açúcar e etanol movimentaram R$ 1,39 bilhão; e os produtos da indústria extrativa mineral somaram R$ 814,5 milhões.

Somente em agosto, as vendas industriais ao exterior alcançaram R$ 3,6 bilhões, alta de 3% na comparação anual e o melhor resultado já registrado pelo Estado para o mês.

A manutenção desse crescimento exigirá expansão planejada das florestas cultivadas, capacidade logística e disponibilidade de mão de obra. O desempenho até agosto, entretanto, confirma a celulose como novo eixo da economia sul-mato-grossense e mostra como a integração entre produção rural e indústria pode ampliar o valor gerado dentro do Estado.

Fonte: Pensar Agro

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Trigo sobe com safra 27% menor e qualidade ameaçada pelas chuvas

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Os preços do trigo voltaram a subir no Brasil diante da perspectiva de uma safra menor e da dificuldade para encontrar grãos com qualidade adequada à fabricação de farinha. Com a colheita em andamento, lotes de padrão inferior começaram a aparecer no Paraná e em São Paulo, enquanto moinhos disputam a parcela da produção que atende às exigências da panificação.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, redução de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada encolheu 21,2%, reflexo da baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores e do receio de novas perdas climáticas.

A diminuição da área já indicava uma oferta mais restrita. O excesso de chuva, a umidade elevada e o avanço de doenças nas lavouras acrescentaram um segundo problema: além de colher menos, o Brasil pode obter uma proporção menor de trigo próprio para a produção de farinha de melhor qualidade.

Levantamento divulgado nesta terça-feira (22) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os compradores estão mais atentos ao padrão dos lotes oferecidos. No Paraná e em São Paulo, já foram registrados grãos dos tipos 2 e 3 e menor disponibilidade de trigo tipo 1.

A classificação considera fatores como presença de impurezas, grãos danificados e peso hectolítrico, conhecido pela sigla PH. O indicador mede o peso do cereal em determinado volume e ajuda a avaliar o rendimento industrial. Em geral, quanto menor o PH, menor tende a ser a quantidade de farinha obtida pelo moinho.

As chuvas próximas da maturação também podem reduzir a força do glúten e o Falling Number, ou número de queda. A força do glúten interfere na elasticidade e na capacidade da massa de reter os gases da fermentação. Já o Falling Number identifica alterações provocadas principalmente pela germinação do grão ainda na espiga. Quando esses índices recuam, o trigo pode perder valor para a panificação e ser destinado a produtos menos exigentes ou à alimentação animal.

O problema cria um mercado dividido. O trigo de qualidade inferior enfrenta descontos e maior resistência dos compradores. Já os lotes de padrão superior tendem a receber preços mais firmes, principalmente nas regiões próximas aos moinhos.

No Rio Grande do Sul, referências ao produtor chegaram a R$ 71 por saca em algumas regiões em setembro. No Paraná, negócios envolvendo trigo destinado à panificação passaram a indicar valores entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada, dependendo da qualidade, da localização e das condições de entrega.

A valorização, portanto, não beneficia todos os agricultores da mesma maneira. O produtor que conseguir entregar trigo com bom PH, força de glúten e número de queda poderá encontrar maior procura. Quem colher lotes danificados pela umidade corre o risco de receber descontos capazes de anular parte ou toda a alta observada no mercado.

A menor produção também aumentará a dependência brasileira do cereal estrangeiro. A Conab estima importações de 7,06 milhões de toneladas, volume superior a toda a safra nacional prevista. Isso significa que mais da metade do trigo necessário ao abastecimento brasileiro deverá vir de outros países.

A Argentina continuará como a principal fornecedora, favorecida pela proximidade e pela ausência de tarifa dentro do Mercosul. O custo efetivo das compras, porém, dependerá da safra argentina, da disponibilidade de trigo de qualidade, do transporte e da cotação da moeda brasileira.

Para os moinhos, a dificuldade não está apenas em completar o volume necessário, mas em obter trigo com características compatíveis com cada tipo de farinha. Produtos de qualidade diferente podem ser misturados para alcançar o padrão industrial desejado, mas esse processo aumenta a necessidade de controle, armazenamento separado e planejamento das compras.

O consumidor ainda não deve sentir um repasse imediato e uniforme nos preços do pão, das massas e dos biscoitos. O trigo representa apenas parte dos custos dessas mercadorias, que incluem moagem, energia, embalagem, transporte, mão de obra e margens comerciais. Uma alta persistente da matéria-prima e das importações, contudo, poderá pressionar os preços nos próximos meses.

Para o produtor, os cuidados nesta fase concentram-se no acompanhamento da maturação, no controle de doenças e na realização da colheita assim que a lavoura atingir as condições adequadas. Também será decisivo separar e classificar os lotes, evitando que uma parcela de qualidade inferior reduza o valor de toda a produção.

A safra menor sustenta as cotações, mas a qualidade definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: o prêmio ficará com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

Fonte: Pensar Agro

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