Agricultura
Safra de laranja cresce, mas greening e seca causam prejuízos
Agricultura
A safra brasileira de laranja 2025/26 foi encerrada com produção de 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, alta de 26,9% sobre o ciclo anterior, mas ainda abaixo do potencial inicial projetado para a temporada. O resultado reflete a combinação de clima irregular e avanço do greening, que seguem limitando a produtividade mesmo em um ano de recuperação.
Os dados foram divulgados pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), entidade que concentra os levantamentos da principal região produtora do país, responsável pela maior parte da oferta nacional. Embora o número represente uma retomada após a safra passada mais curta, a produção ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial, sinalizando que os problemas estruturais persistem.
O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder absoluto nas exportações de suco, com participação que varia entre 70% e 80% do comércio global. A produção nacional gira, em média, entre 16 milhões e 18 milhões de toneladas por ano, com forte concentração no Sudeste, mas presença crescente em outras regiões.
Na safra atual, o clima foi determinante. Entre maio de 2025 e março de 2026, o volume de chuvas ficou cerca de 13% abaixo da média histórica nas principais áreas produtoras, com regiões registrando déficits ainda mais intensos. A irregularidade hídrica afetou o enchimento dos frutos e reduziu o peso médio.
Na prática, isso aparece no rendimento: foram necessárias mais laranjas para completar uma caixa padrão, indicando perda de massa por fruto. Mesmo com chuvas no início de 2026 ajudando parcialmente a recuperação, o resultado final ficou aquém do esperado.
O maior impacto, porém, veio da sanidade. A taxa de queda de frutos atingiu 23,2% na safra, resultando em perda estimada de 88,49 milhões de caixas. Desse total, cerca de 49,59 milhões foram atribuídas ao greening, doença que hoje representa o principal risco à citricultura brasileira.
O avanço da doença tem efeito direto dentro da porteira: reduz produtividade, encurta o ciclo dos pomares e eleva o custo com manejo e renovação de áreas. Em muitos casos, obriga o produtor a antecipar a erradicação de plantas e replantio, pressionando o caixa.
Apesar das perdas, o volume colhido garante abastecimento da indústria e manutenção da liderança brasileira no mercado internacional de suco. Ainda assim, o cenário exige atenção. A combinação de clima mais instável e pressão fitossanitária indica que a recuperação da produção não necessariamente se traduz em ganho de rentabilidade.
A próxima safra começa a ser desenhada agora, com a divulgação da nova estimativa prevista para maio. Para o produtor, o desafio permanece o mesmo: produzir mais, com menor margem de erro, em um ambiente cada vez mais sensível a clima e doença.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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