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Atlético-MG vence Independiente del Valle e alcança inédita final da Sul-Americana
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Em uma noite de gala na Arena MRV, o Atlético-MG confirmou sua força e carimbou o passaporte para a grande decisão da Copa Sul-Americana. Na partida de volta das semifinais, realizada nesta terça-feira, o Galo dominou o Independiente del Valle-EQU, vencendo por 3 a 1, e garantiu uma vaga histórica na final do torneio continental.
Após um empate em 1 a 1 no jogo de ida, em Quito, a equipe mineira precisava da vitória em casa. Guilherme Arana, Bernard e Hulk foram os heróis da noite, com gols que levaram a torcida ao delírio. Hulk, em particular, celebrou o fim de um jejum de 15 partidas sem balançar as redes, marcando um gol crucial para o avanço atleticano. Spinelli descontou para os equatorianos.
Com o resultado agregado de 4 a 2, o Atlético-MG fará sua primeira final de Copa Sul-Americana na história do clube. A decisão será disputada em Assunção, no Paraguai, no dia 22 de novembro. O adversário sairá do confronto entre Lanús-ARG e Universidad de Chile, que também estão em igualdade, com um empate em 2 a 2 na primeira partida.
O Jogo
A primeira etapa foi marcada por um Atlético-MG determinado a abrir o placar. Aos 36 minutos, Guilherme Arana aproveitou um rebote na área, após uma tentativa inicial que a zaga afastou e o goleiro defendeu parcialmente, para empurrar a bola para o fundo das redes, inaugurando o marcador. A euforia ainda não havia se dissipado quando, aos 44 minutos, Bernard ampliou a vantagem. Dudu, em jogada individual de muita garra e habilidade, interceptou a saída de bola adversária, driblou dois marcadores e serviu o atacante, que finalizou com uma cavadinha magistral.
No segundo tempo, o Independiente del Valle tentou reagir. Aos 18 minutos, Spinelli diminuiu para os visitantes. Após um chute de fora da área de Arroyo, o goleiro Everson espalmou para o meio da área, e o atacante equatoriano não perdoou, marcando o gol que dava esperanças ao seu time.
Contudo, a alegria do time visitante durou pouco. Aos 27 minutos, o atacante Hulk, após um lançamento preciso de Alonso em profundidade, concluiu com categoria no canto esquerdo, selando a vitória e a classificação do Galo. O gol de Hulk foi muito comemorado, não apenas por sua importância na partida, mas por encerrar um período sem gols do camisa 7.
Próximos compromissos:
Com a vaga na final assegurada, o Atlético-MG volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo desafio será contra o Internacional, no domingo, 02 de novembro, às 18h30, no Beira-Rio, em partida válida pela 31ª rodada do Brasileirão.
Já o Independiente del Valle, eliminado da Sul-Americana, foca no Campeonato Equatoriano. Sua próxima partida será contra o Libertad, na segunda-feira, 03 de novembro, às 21h.
FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-MG 3 X 1 INDEPENDIENTE DEL VALLE
- Competição: Semifinal da Copa Sul-Americana
- Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)
- Data: 28 de outubro de 2025 (terça-feira)
- Horário: 21h30 (de Brasília)
Arbitragem
- Árbitro: Esteban Ostojich (URU)
- Assistentes: Nicolas Taran (URU) e Martin Soppi (URU)
- VAR: Christian Ferreyra (URU)
Gols
- Guilherme Arana, aos 36′ do 1ºT (Atlético-MG)
- Bernard, aos 44′ do 1ºT (Atlético-MG)
- Spinelli, aos 18′ do 2ºT (Independiente del Valle)
- Hulk, aos 27′ do 2ºT (Atlético-MG)
Cartões Amarelos
- Atlético-MG: Biel, Everson
- Independiente del Valle: Arroyo
ATLÉTICO-MG: Everson; Ruan Tressoldi, Vitor Hugo e Junior Alonso; Igor Gomes, Alan Franco, Fausto Vera (Saravia) e Guilherme Arana; Bernard, Dudu (Biel) e Rony (Hulk). Técnico: Sampaoli
INDEPENDIENTE DEL VALLE: Guido Villar; Matías Fernández, Mateo Carabajal, Richard Schunke e Gustavo Cortez (Zárate); Jordy Alcívar, Jean Pierre Arroyo (Guagua), Patrik Mercado (Ibarra) e Sornoza (Loor); Michael Hoyos e Claudio Spinelli. Técnico: Javier Rabanal
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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