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Bangu supera o Flamengo por 2 a 1 na 2ª rodada do Carioca
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Em uma noite de forte chuva e muita emoção no Estádio Moça Bonita, o Bangu surpreendeu o favorito Flamengo e garantiu uma vitória por 2 a 1 pela 2ª rodada do Campeonato Carioca 2026, nesta quarta-feira (14). O resultado marca um retorno triunfante do Alvirrubro à elite do futebol carioca e um revés inesperado para o Rubro-Negro, que atuou com uma equipe majoritariamente composta por jogadores do sub-20.
O jogo
A partida começou com alta intensidade e um susto para o Flamengo logo no primeiro minuto, quando Johnny recebeu cartão amarelo por uma falta. O Bangu não demorou a aproveitar a desorganização inicial do Flamengo. Aos 4 minutos, Garrinsha roubou a bola no meio-campo e acionou Patryck Ferreira, que invadiu a área e finalizou com precisão para abrir o placar, fazendo a torcida banguense explodir: 1 a 0.
O Bangu não parou por aí. Aos 12 minutos, Garrinsha, em uma jogada individual espetacular pela esquerda, dominou em profundidade e acertou um chutaço no ângulo do goleiro Léo Nannetti, ampliando a vantagem para 2 a 0. Parecia que o time da casa teria tranquilidade, mas o Flamengo conseguiu diminuir rapidamente. Aos 19, Guilherme Gomes aproveitou uma falha defensiva e, saindo livre pelo meio, bateu por cima do goleiro Bruno, colocando o Rubro-Negro de volta na partida: 2 a 1.
O primeiro tempo ainda foi marcado por uma forte chuva na Zona Oeste do Rio de Janeiro e por atendimentos médicos, com Johnny (Flamengo) e Patryck Ferreira (Bangu) sentindo o ritmo do jogo. O Flamengo, mesmo com mais posse de bola (68% contra 32% do Bangu no primeiro tempo), encontrava dificuldades para furar a defesa banguense.
No segundo tempo, o jogo continuou movimentado, mas com o Bangu controlando a vantagem. O Flamengo tentava avançar suas linhas em busca do empate, enquanto o time da casa se fechava, buscando os contra-ataques. As substituições foram constantes, com o Bangu buscando oxigenar a equipe (saíram Dudu, Patryck da Silva, Garrinsha, Ítalo e Patryck Ferreira) e o Flamengo tentando novas formações (saíram Lucas Vieira, Johnny, Douglas Telles e Daniel Sales).
A partida foi marcada por diversas paralisações para atendimento médico, principalmente devido a cãibras e lesões musculares, evidenciando o início de temporada e o esforço dos atletas. Aos 47 minutos, o Flamengo ainda buscava o gol de empate, mas sem grande objetividade. Nos acréscimos, Wallace do Flamengo ainda recebeu um cartão amarelo.
Ao final, o Bangu, atuando em casa, conseguiu segurar o ímpeto rubro-negro e garantiu os três pontos. A vitória representa um marco importante para o Alvirrubro, que inicia sua campanha no Grupo A com o pé direito, enquanto o Flamengo, que já havia empatado com a Portuguesa-RJ em jogo antecipado da quinta rodada, permanece com apenas um ponto no Grupo B. Historicamente, o Flamengo detém ampla vantagem nos confrontos (146 vitórias em 232 jogos), tornando esta vitória banguense ainda mais significativa.
Próximos Confrontos:
- Bangu: Enfrentará o Volta Redonda.
- Flamengo: Terá o clássico contra o Vasco da Gama.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Bangu 2 x 1 Flamengo | |
| Competição | Campeonato Carioca | 2ª Rodada |
| Local | Estádio de Moça Bonita |
| Data e Horário | 14/01/2026 às 21h30 |
| Arbitragem | Árbitro: Jodis Nascimento de Souza (RJ) Assistentes: Carlos Henrique Alves de Lima Filho (RJ) e Lucas Castro dos Santos (RJ) |
| Cartões Amarelos | Johnny (FLA), Gilberto (BAN), Patrick (BAN), Pablo (FLA) e Wallace Yan (FLA) |
| Gols | PK (3’1ºT) – Bangu Garrinsha (11’1ºT) – Bangu Guilherme (18’1ºT) – Flamengo |
| Flamengo | Léo Nannetti; Daniel Sales (Wanderson), Iago, João Victor e Johnny (Gusttavo); Lucas Vieira (Alan Santos), Pablo e Guilherme; Douglas Telles (Ryan Roberto), Joshua (Camargo) e Wallace Yan. |
| Técnico Flamengo | Bruno Pivetti |
| Bangu | Bruno; Dudu (Caio Felipe), Gilberto, Patrick (Kadu) e Bruno Boca; Ítalo (Ricardo Sena), Mauro Silva e Walber; Garrinsha (Douglas), Sibito e PK (Luizinho). |
| Técnico Bangu | Flávio Tinoco |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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