Politica
Lei institui campanha Janeiro Branco e reforça debate sobre saúde mental em Mato Grosso
Mato Grosso
A saúde mental, considerada uma das questões mais urgentes e silenciosas da sociedade contemporânea, passou a ter atenção institucional no Estado de Mato Grosso com a criação da Campanha Janeiro Branco, instituída pelo Projeto de Lei nº 181/2023. A iniciativa busca ampliar o debate público sobre bem-estar emocional, prevenção ao suicídio e cuidados psicológicos.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos no mundo, o que evidencia a gravidade do problema e a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental. Nesse contexto, a campanha surge como instrumento de conscientização e mobilização social.
O mês de janeiro foi escolhido por seu simbolismo. Tradicionalmente associado a recomeços, avaliações pessoais e novos projetos, o período é considerado propício para reflexões sobre a vida, as relações interpessoais e a saúde emocional. A proposta é incentivar a população a olhar com mais atenção para seus sentimentos, pensamentos e condições psicológicas.
A cor branca, que dá nome à campanha, representa novos começos e possibilidades. Simboliza uma “tela em branco”, onde histórias podem ser reescritas e novos projetos de vida construídos. Presente em diferentes culturas e tradições, o branco também expressa união, acolhimento e esperança.
Criada originalmente em 2014, na cidade de Uberlândia (MG), por iniciativa de psicólogos, a campanha Janeiro Branco ganhou dimensão nacional ao longo dos anos, envolvendo profissionais da saúde, educadores, artistas, comunicadores e a sociedade civil. Em Mato Grosso, a proposta foi inspirada em experiências bem-sucedidas de outras campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa.
A lei prevê que, durante todo o mês de janeiro, sejam realizadas ações educativas e informativas, com participação voluntária de profissionais e da população. As atividades incluem incentivo à prevenção do suicídio, identificação precoce de transtornos como depressão e ansiedade, além da promoção de tratamento adequado. O Laço Branco, símbolo oficial da campanha, poderá ser utilizado em prédios públicos estaduais como forma de reforçar o compromisso institucional com a causa.
A iniciativa parte do entendimento de que não há desenvolvimento social ou econômico sustentável sem atenção à saúde mental. Ao reconhecer o bem-estar emocional como parte essencial da dignidade humana, o Estado assume um papel ativo na promoção da qualidade de vida da população.
Mais do que uma data no calendário oficial, o Janeiro Branco se consolida como uma política pública voltada à valorização da vida e ao fortalecimento da saúde mental como direito fundamental. A expectativa é que a campanha contribua para reduzir estigmas, ampliar o acesso à informação e salvar vidas.
Crédito:
Max Russi é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e autor do projeto que instituiu a Campanha Janeiro Branco no Estado.
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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