Mato Grosso
MPMT reconhece contribuição do procurador Hélio Fredolino Faust
Mato Grosso
Em uma tarde marcada por emoção, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (19), uma homenagem ao procurador de Justiça aposentado Hélio Fredolino Faust. Ao longo de sua trajetória, ele foi cinco vezes corregedor-geral do MPMT e, após 41 anos de dedicação à instituição, aposentou-se em fevereiro deste ano.
Hélio Fredolino Faust foi o primeiro promotor a atuar na comarca de Sinop e ajudou a estruturar a atuação ministerial na região, em 1985. Em seguida, foi promovido por antiguidade para as comarcas de Diamantino (1987), Barra do Garças (1988) e, posteriormente, Cuiabá, em 1990.
Durante a homenagem, o procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca Costa destacou a trajetória de dedicação e comprometimento do procurador aposentado. “O doutor Hélio foi um grande líder que exerceu sempre a liderança com serenidade, com respeito e mostrando às pessoas que a autoridade se exerce, com serenidade nas palavras. Uma pessoa que sempre ensinou, que além do conhecimento jurídico, além da contribuição que deu com o Ministério Público, sempre teve o conhecimento que eu julgo mais importante, o conhecimento de vida. O senhor é um exemplo”.
O subprocurador-Geral de Justiça Jurídico e Institucional, Marcelo Ferra de Carvalho, ressaltou a atuação justa do colega. “Ele (Hélio) sempre conseguiu fazer o que é correto, o que é justo, o que eu acho uma grande característica de qualquer um nessa área. Tomar decisão justa, adequada, analisando não só o aspecto técnico como o aspecto humano da situação”.
A subprocuradora-Geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, lembrou que, quando assumiu o cargo de promotora de Justiça, a Corregedoria estava sob a gestão do procurador aposentado. “A corregedoria pode até parecer, a distância, apenas no órgão de controle. Mas com o doutor Hélio, ela era outra coisa. Ela era orientação, era equilíbrio, era acolhimento”.
O procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado falou dos anos de atuação ao lado do colega. “É impressionante. Ele é aquele porto seguro. Aquela pessoa que atende a qualquer um de nós aqui. Na dificuldade a gente sabe que a bater na porta dele, ele vai mais do que atender”. Na mesma linha, o procurador de Justiça Mauro Benedito Curvo também destacou os anos de amizade e parceria. “Dizem que uma guerra é ganha ou perdida de acordo com a pessoa que está ao seu lado na existência. Doutor Hélio é aquele soldado, aquele companheiro, aquele parceiro que, para qualquer dificuldade”.
A promotora de Justiça coordenadora do Vida Plena, Gileade Pereira Souza Maia, agradeceu ao procurador pelo exemplo e pelos anos de contribuição. “O povo de Mato Grosso agradece, porque o senhor dedicou os melhores anos a esse povo”. Já o promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, diretor-geral da Fundação Escola Superior do MPMT, lembrou do primeiro contato com Hélio. “Eu ainda estudava e o senhor era o corregedor e me recebeu de uma forma tão humilde”.
O presidente da Associação Mato-Grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, ressaltou a satisfação de receber o procurador aposentado na associação. “Receba o meu carinho, o carinho da Associação do Ministério Público, que está aberta ao senhor, agora como membro aposentado”.
Atual corregedor-geral do MPMT, o procurador de Justiça João Augusto Veras Gadelha falou do privilégio de ter sido adjunto de Hélio na Corregedoria-Geral do MPMT nos biênios 2019/2021 e 2021/2023. “Foram quatro anos de intenso aprendizado, de convivência e de enriquecedora inspiração constante”.
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, falou da amizade com o procurador. “Eu não podia deixar de externar a minha admiração pelo homem, pelo seu caráter, pelo seu companheirismo no início das nossas atividades”. E o desembargador Wesley Sanches, que foi membro do MPMT e atuou como auxiliar da Corregedoria na gestão do procurador Hélio, falou da relação familiar. “E eu tive o privilégio de trabalhar com o doutor Hélio. E esse é o meu sentimento em relação ao doutor Hélio: eu tinha mania de beijar a mão dele e de falar benção, meu pai”.
Durante a homenagem, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, e o deputado estadual Eduardo Botelho entregaram ao procurador aposentado a comenda Dante de Oliveira. “É reconhecimento a uma trajetória que honra o Ministério Público, fortalece as Instituições e dignifica o Estado”, pontuou o chefe do Poder Legislativo.
Além da comenda, o procurador Hélio Fredolino Faust também recebeu uma placa de homenagem da Procuradoria-Geral de Justiça e uma cesta da Fundação Escola Superior do MPMT.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos
“Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.
Inspiração e metodologia
O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.
O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.
Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.
A voz que não se cala
Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”
Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.
Sobre a capacitação
A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.
O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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