Caos na Gestão

São Félix do Araguaia entra em colapso administrativo enquanto população cobra respostas

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Mato Grosso

São Félix do Araguaia enfrenta um dos períodos mais críticos de sua história recente. Em menos de um ano, o município mergulhou em um colapso administrativo que tem afetado diretamente o dia a dia da população, com serviços essenciais interrompidos e denúncias que se acumulam a cada semana.

A crise ficou ainda mais evidente após uma série de episódios graves registrados ao longo do ano. Um dos casos que mais repercutiu na região envolveu a agressão a um empresário de uma dupla sertaneja que se apresentou no aniversário da cidade. Segundo relatos, o artista não recebeu o pagamento contratado e o conflito acabou evoluindo para violência, expondo ainda mais o caos administrativo.

Gastos milionários com festas contrastam com falta de serviços básicos

O que mais revolta moradores é o contraste entre a realidade atual e os altos gastos da gestão municipal com eventos. São Félix do Araguaia se tornou conhecida recentemente pela frequência de festas — praticamente todo mês — que consumiram milhões dos cofres públicos.

Agora, a prefeitura afirma não ter recursos sequer para abastecer veículos e maquinários, o que paralisa serviços essenciais.

O transporte escolar foi completamente suspenso, deixando centenas de alunos sem meios de locomoção até as escolas. A limpeza urbana também está afetada: caminhões de coleta de lixo permanecem estacionados tanto na sede do município quanto no distrito de Espigão. Em algumas localidades, o lixo já se acumula há semanas, aumentando o risco de problemas sanitários.

População acusa má gestão: “Dinheiro tem, falta responsabilidade”

A indignação da comunidade aumenta a cada dia. Uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou sua revolta:

“Falta de dinheiro não é, pois a diária do prefeito aumentou 120%, o ITR aumentaram 400%, o IPTU aumentaram 150%, a água no total chegou a mais de 500%. Portanto, o problema é claro que é falta de gestão e desvio de finalidade.”

Os números chamam atenção. Mesmo diante do colapso dos serviços públicos, o município registra arrecadação recorde. Somente em 2025, o valor já ultrapassa R$ 190 milhões, superando a previsão inicial. A expectativa é que o ano encerre com mais de R$ 200 milhões arrecadados.

Ainda assim, fornecedores não recebem, o diesel está cortado, o transporte escolar segue parado e a coleta de lixo permanece comprometida.

Até onde vai o caos administrativo?
A pergunta ecoa pelas ruas: qual será o próximo serviço a parar?

Moradores pedem socorro e cobram providências urgentes das autoridades municipais. A população espera que o município retome imediatamente o funcionamento básico da máquina pública antes que a situação piore ainda mais.

A comunidade de São Félix do Araguaia segue na expectativa de respostas e, principalmente, de soluções concretas.

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Mato Grosso

Vacina disponível, proteção possível: Sorriso precisa aderir já

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Sorriso vive um momento decisivo na campanha de vacinação contra a gripe. As doses estão disponíveis, as equipes de saúde estão mobilizadas, mutirões vêm sendo organizados — há, portanto, um esforço concreto e contínuo do poder público para ampliar a cobertura vacinal. Ainda assim, os números revelam um desafio: apenas cerca de 15% do grupo prioritário foi vacinado até o momento.Esse dado não deve ser lido como falha isolada, mas como um sinal de alerta que exige corresponsabilidade.A vacina oferecida pelo Sistema Único de Saúde é atualizada anualmente e protege contra os principais vírus da influenza em circulação — H1N1, H3N2 e influenza B. Mais do que reduzir casos leves, ela cumpre um papel essencial: evitar agravamentos, internações e mortes, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.E aqui está o ponto central: a gripe não é uma doença trivial.Em determinadas situações, ela evolui para quadros graves, com complicações como pneumonia, desidratação e descompensação de doenças crônicas. No Brasil, todos os anos, a influenza está associada a centenas de internações e a um número expressivo de óbitos, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades.Ou seja, quando a adesão vacinal é baixa, não se trata apenas de um número aquém da meta — trata-se de uma janela aberta para o agravamento de casos que poderiam ser evitados.Diante disso, é preciso reconhecer: o sistema de saúde tem feito sua parte. Mas a vacinação não se sustenta apenas na oferta — depende da adesão.E adesão se constrói com envolvimento.As famílias têm um papel decisivo. Levar um idoso ao posto, garantir que uma criança seja vacinada, orientar alguém com doença crônica — são gestos simples, mas que fazem diferença concreta nos indicadores de saúde.A sociedade também precisa assumir protagonismo. Informação de qualidade, combate à desinformação e incentivo ao cuidado coletivo são elementos que ultrapassam o espaço das unidades de saúde.Mas há um ponto ainda mais relevante: a resposta precisa ser intersetorial.O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) podem intensificar as ações destinadas a mobilizar a comunidade. São estruturas que conhecem o território, mantêm contato direto com famílias em situação de vulnerabilidade e têm capacidade de identificar, orientar e ajudar a encaminhar quem ainda não se vacinou. Sua atuação pode ser decisiva para alcançar exatamente aqueles que mais precisam da proteção.A rede de educação pode atuar como multiplicadora de informação e mobilização, envolvendo professores, alunos e famílias.As áreas de esporte e cultura, por sua capilaridade e proximidade com a população, podem incorporar a pauta da vacinação em suas atividades e eventos.As lideranças religiosas, por sua vez, ocupam um lugar singular de confiança social. Igrejas, templos e comunidades de fé alcançam pessoas onde muitas vezes o Estado não chega com a mesma força. Podem orientar, incentivar e engajar, transformando a vacinação em um compromisso com o cuidado da vida.A comunicação institucional precisa ser clara, direta e insistente — não apenas informando, mas convocando.E as lideranças comunitárias e associativas também podem desempenhar papel decisivo ao reforçar a importância da imunização em seus espaços de influência. Os Presidentes das associações de moradores podem ajudar muito nesse sentido!É importante destacar que a vacina já está disponível em todas as unidades básicas de saúde do município. Ainda assim, para ampliar o acesso e incentivar a adesão, será realizado um novo mutirão neste sábado, dia 25. Três unidades estarão abertas no período da tarde, das 15h às 17h: os postos de saúde dos bairros Mário Raiter, Jardim Amazonas e União.Além disso, no próprio sábado, das 7h às 11h, a vacinação também estará disponível no Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), localizado na Rua Criciúma, nº 165, bairro Centro-Sul, ao lado do Fórum de Sorriso — uma oportunidade especialmente relevante para facilitar o acesso da população idosa.O mutirão é uma medida acertada. Mas, mais do que um evento pontual, ele precisa ser compreendido como parte de um movimento maior: transformar disponibilidade em acesso real, e acesso em adesão efetiva.No fim, a equação é simples.Vacina disponível + mobilização social = proteção ampliada.Sem essa soma, o esforço público perde alcance. Com ela, a cidade ganha em saúde, reduz internações, evita complicações e protege quem mais precisa.Sorriso já deu o primeiro passo, com uma rede de saúde atuante e comprometida. Agora, é hora de dar o passo seguinte: engajar famílias, instituições e toda a sociedade nessa agenda comum.Vacinar é um ato de cuidado individual. Mas, sobretudo, é uma decisão que protege o coletivo.E cidades que se mobilizam juntas, salvam vidas!Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça do MPMT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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