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Trabalho desenvolvido em penitenciária ganha espaço na Corrida da Justiça e Cidadania

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Close de uma mulher vestindo terno vermelho e blusa branca, segurando horizontalmente com as duas mãos uma faixa elástica preta com fivela e a inscrição A 2ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis (219 km de Cuiabá), marcada para o dia 16 de agosto, terá neste ano um diferencial que reforça ainda mais o caráter social e inclusivo da iniciativa. Reeducandos da Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa irão confeccionar mais de mil cintos porta-número que serão entregues aos atletas da prova.

A parceria entre o Fórum da Comarca de Rondonópolis, a Polícia Penal e o Ateliê Escola da unidade prisional une esporte, cidadania e ressocialização. Os acessórios são produzidos pelos internos que participam das oficinas profissionalizantes de costura e serigrafia desenvolvidas dentro da penitenciária. O porta-número é utilizado em corridas de rua para fixar o número de peito de forma prática e segura, substituindo os tradicionais alfinetes e evitando danos às camisetas esportivas.

A juíza Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, diretora do Fórum de Rondonópolis e coordenadora da Corrida da Justiça e Cidadania, destaca que a iniciativa foi planejada para ampliar o impacto social do evento e fortalecer ações de inclusão e ressocialização. Ela explicou que a organização buscou adotar uma visão humanizada em cada detalhe da corrida, envolvendo projetos que gerassem oportunidades, dignidade e transformação social.

Visão aproximada de várias faixas elásticas pretas com fivelas sobre uma superfície marmorizada. As faixas possuem detalhes refletivos e o logotipo “A princípio, a ideia da organização era adquirir esses porta-números prontos, inclusive de fornecedores da China, como normalmente acontece em grandes eventos esportivos. Porém, durante as conversas sobre a corrida, surgiu a possibilidade de desenvolver esse material dentro do Ateliê Escola da penitenciária. A proposta foi abraçada imediatamente, porque acreditamos no potencial transformador do trabalho e da ressocialização”, afirmou.
Mulher de terno vermelho e um homem de camiseta amarela e boné branco manuseiam juntos uma tela de serigrafia com tinta branca sobre uma mesa de madeira.Em visita à unidade prisional no dia 15 de maio, a juíza ressaltou ainda a confiança no trabalho desenvolvido pelos reeducandos da unidade prisional e destacou o comprometimento dos participantes do projeto. “Existe talento, dedicação e comprometimento desses reeducandos, e essa parceria demonstra justamente isso: quando a sociedade oferece oportunidade e confiança, muitas pessoas conseguem reconstruir suas histórias com dignidade. Além de receberem um acessório de qualidade, os atletas também levarão consigo um símbolo de inclusão, recomeço e valorização do trabalho humano”, completou.

A magistrada lembrou ainda que toda a renda líquida arrecadada com a corrida será destinada neste ano à Escola Louis Braille, instituição que atende pessoas com deficiência visual e múltiplas deficiências em Rondonópolis.

Retrato de uma mulher de cabelos presos, sorrindo em frente a uma parede branca com a inscrição A policial penal Maria Leite da Silva, responsável pelo ateliê da penitenciária, explica que os internos receberam o convite com entusiasmo e já iniciaram a produção das peças piloto.

“É uma satisfação muito grande participar de um projeto do Judiciário. Eles receberam muito bem o convite, gostam de participar dessas ações voluntárias e fazem tudo com muito carinho. Nós recebemos o modelo, adquirimos os materiais e já estamos preparando toda a produção para quando chegarem os materiais definitivos”, contou.

Maria atua há mais de duas décadas na área de ressocialização da unidade prisional e destaca que iniciativas como essa fortalecem a autoestima e criam perspectivas de vida para os participantes.

Homem de costas veste camiseta amarela com a inscrição Oséias, um dos reeducandos envolvidos no projeto, relatou que a participação representa uma oportunidade concreta de recomeço.

“Pra gente significa muito. Além do aprendizado, é uma oportunidade de voltar a se socializar e construir um futuro diferente. Eu trabalhei mais de 20 anos como motorista de caminhão e aqui dentro já aprendi várias profissões. Hoje estou aprendendo costura mecânica também. Isso pode mudar a vida da gente e da nossa família”, afirmou.

Ele também ressaltou o sentimento de contribuição social proporcionado pelo trabalho desenvolvido dentro da oficina. “É gratificante saber que, mesmo daqui de dentro, a gente consegue ajudar de alguma forma. São pequenas coisas que acabam virando grandes oportunidades”, completou.

Serviço

A 2ª Corrida da Justiça e Cidadania será realizada no dia 16 de agosto, em frente ao Fórum Desembargador William Drosghic, em Rondonópolis. A largada está prevista para às 6h30 (horário de MT).

A expectativa da organização é reunir mais de 900 participantes entre corredores, caminhantes e crianças nas atividades da Corrida da Justiça e Cidadania. Além da prova adulta, o evento contará pela primeira vez com a Corrida Kids, prevista para o dia 15 de agosto, voltada a crianças de 2 a 12 anos.

As inscrições seguem abertas e podem ser feitas de forma on-line pelo site da Acrono Esportes, até o preenchimento do limite técnico de vagas disponibilizadas para esta edição.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de leitura transforma experiências e amplia horizontes de pessoas privadas de liberdade

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Visão em ângulo de uma pessoa folheando um livro aberto sobre uma mesa branca. Uma das mãos segura uma caneta azul, apontando para o texto que traz fotos em preto e branco de crianças.Durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nos dias 2 e 3 de junho, em formato virtual, a professora Silvia Aparecida Duarte Fraga apresentou a experiência desenvolvida na Cadeia Pública de Alto Araguaia (421km de Cuiabá) por meio do projeto “Viagem Sobre as Grades – Remição Pela Leitura e Expressão de Sentimentos”. A iniciativa integra as boas práticas educacionais desenvolvidas no sistema prisional mato-grossense.

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Sejus-MT), o evento reuniu educadores e profissionais que atuam com a remição de pena pela leitura em unidades prisionais de Mato Grosso.

Ao relatar sua trajetória no projeto, Silvia contou que recebeu o convite para atuar com pessoas privadas de liberdade de forma inesperada. Com mais de duas décadas dedicadas à educação de crianças e adolescentes, ela afirmou que a experiência a levou a romper preconceitos e ampliar sua visão sobre os processos de aprendizagem.

“O aprendizado vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula. Pequenos esforços e a leitura permitem que a pessoa vá além do que os olhos enxergam”, destacou.

Segundo a educadora, o nome do projeto surgiu a partir da fala de um dos participantes. “Ele disse que, quando estava na sala realizando as atividades de leitura, sentia o corpo preso, mas a mente voando. Foi aí que compreendi o significado da leitura naquele ambiente”, relatou.

A iniciativa é desenvolvida em etapas que estimulam a expressão de sentimentos, o autoconhecimento e a construção de novos projetos de vida. Uma das atividades consiste na elaboração de uma árvore de palavras, em que os participantes registram emoções, desejos e percepções por meio de palavras-chave.

Outra ação de destaque é a produção de cartas motivacionais. Nessa atividade, os alunos são convidados a escrever para si mesmos, assumindo a perspectiva de um desconhecido. O exercício incentiva o uso de palavras positivas, conselhos, reflexões sobre mudanças, sonhos e possibilidades, além da valorização pessoal e da esperança.

De acordo com Silvia, os resultados observados incluem o fortalecimento da autoestima, a ampliação da capacidade emocional, o aumento do interesse pela leitura e o enriquecimento do vocabulário dos participantes.

Ouvidoria apresenta canais de atendimento e orientação ao cidadão

A programação também contou com a participação do ouvidor setorial da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), Ricardo Augusto de Oliveira, que apresentou orientações sobre os canais de atendimento da Ouvidoria e os procedimentos para registro de manifestações.

Segundo ele, a Ouvidoria atua como uma ponte entre o cidadão e a administração pública, recebendo demandas, orientando os usuários e encaminhando as solicitações aos setores responsáveis para análise e providências dentro dos prazos estabelecidos.

“O papel da Ouvidoria também é educativo, orientando o cidadão sobre o melhor caminho para registrar sua manifestação e acompanhar o atendimento”, explicou.

O ouvidor destacou ainda os cursos oferecidos pela instituição para capacitar servidores públicos e aprimorar a qualidade dos atendimentos. Durante a apresentação, ele orientou os participantes sobre a utilização do sistema Fale Cidadão, ferramenta disponibilizada pela Controladoria Geral do Estado e acessível por meio dos portais oficiais do Poder Executivo Estadual.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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