Politica
Abordagem da Guarda Municipal em evento da prefeitura gera questionamentos em Várzea Grande
Política
Um episódio registrado nesta quinta-feira (18), em Várzea Grande, no bairro Costa Verde, reacendeu o debate sobre o papel da Guarda Municipal e sua atuação em eventos oficiais do poder público. O caso, que ganhou repercussão após a circulação de vídeos e áudios, envolve a abordagem de uma líder comunitária durante um evento promovido pela prefeitura.
Segundo os registros, a moradora questionava autoridades presentes quando foi contida por agentes da Guarda Municipal. A situação evoluiu para ameaça de condução à delegacia, apesar de o evento não se tratar de uma operação policial nem haver indícios de risco à segurança dos participantes. O ato tinha caráter político, com palanque, discursos e estrutura institucional.
A líder comunitária Kelly Daiane foi retirada do local após manifestar cobranças relacionadas a demandas básicas da população, como o abastecimento de água. A intervenção da Guarda foi interpretada por moradores e lideranças locais como uma tentativa de silenciar críticas em um espaço público.
Em nota, a versão oficial classificou o episódio como “perturbação da ordem” e mencionou “alteração de comportamento”, além de insinuar possível embriaguez. Especialistas e defensores de direitos civis apontam que esse tipo de justificativa costuma ser adotado quando não há registro de crime ou ameaça concreta.
Uma pessoa se mostra mais incisiva ao defender a mulher: “Vocês estão errados, porque ela tem o direito à liberdade de expressão. Ela não atacou a prefeita. Tá errado”.
O caso levanta questionamentos sobre os limites da atuação da Guarda Municipal e seu papel institucional. Criada para proteger bens, serviços e cidadãos, a corporação pode estar sendo acionada para garantir a tranquilidade de autoridades diante de manifestações incômodas?
A ocorrência reforça o debate sobre liberdade de expressão em espaços públicos e o direito da população de cobrar respostas do poder público sem que isso seja tratado como caso de polícia.
Política
Experiência em Comodoro inspira debate sobre criação de banco de boas práticas na educação prisional
A experiência desenvolvida na Cadeia Pública de Comodoro, apresentada durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e Secretarias de Estado de Educação e Justiça , despertou reflexões sobre a importância de ampliar o compartilhamento de iniciativas exitosas entre as unidades prisionais do estado.
Com o tema “Letras que Libertam: Educação e Leitura no Sistema Prisional”, a professora e facilitadora Luana Pâmela Cordeiro de Sousa Belmont apresentou na tarde desta quarta-feira (3) os resultados do trabalho de alfabetização e incentivo à leitura realizado junto às pessoas privadas de liberdade da unidade de Comodoro, evidenciando o potencial transformador da educação no processo de ressocialização.
Durante sua exposição, a educadora relatou que decidiu atuar de forma mais intensiva na alfabetização após constatar que alguns custodiados não sabiam sequer assinar o próprio nome.
“Fiquei incomodada com o fato de algumas pessoas não saberem nem assinar o nome. Muitas vezes existe a ideia de que o sistema prisional não é um espaço para adquirir conhecimento, mas encontrei pessoas com muita vontade de aprender. Elas queriam escrever o próprio nome, os nomes dos filhos e participar dos projetos de remição pela leitura”, contou.
Atualmente, cerca de 120 pessoas privadas de liberdade participam das atividades de remição pela leitura na unidade prisional. Paralelamente, dez estudantes integram as turmas de alfabetização, organizadas de acordo com os diferentes níveis de aprendizagem.
Segundo a professora, o trabalho é desenvolvido com metodologias adaptadas à realidade dos alunos e busca fortalecer não apenas a alfabetização, mas também a autonomia e a autoestima dos participantes.
“Eu sempre digo que é impossível alguém passar pelas aulas sem aprender pelo menos o básico. Quero que saiam dali com condições de buscar uma oportunidade de trabalho, conversar com os filhos e ter mais independência. Trabalhamos a partir da realidade deles, do próprio nome, das experiências que carregam”, explicou.
A apresentação evidenciou o impacto positivo das ações educacionais desenvolvidas dentro do sistema prisional e suscitou discussões entre os participantes sobre a possibilidade de reunir experiências exitosas em um banco de boas práticas. A iniciativa permitiria registrar, compartilhar e difundir projetos que vêm apresentando resultados positivos em diferentes unidades prisionais de Mato Grosso, fortalecendo as políticas de educação e ressocialização.
Para Luana, independentemente do contexto em que esteja inserida, a educação continua sendo uma das mais importantes ferramentas de transformação social.
“A educação é um instrumento poderoso. Ela cria oportunidades, amplia horizontes e permite que as pessoas construam novas perspectivas para suas vidas”, afirmou.
A III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena é realizada pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do TJMT, em parceria com a Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e o Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP) da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT). O evento é coordenado pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, responsável pelo Eixo Práticas Educativas.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: [email protected]
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