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O silêncio que grita: Quando o medo vira estatística e a dor, resistência

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Por Jacqueline Cândido

Eu olho os números. E eles não são só números. São rostos, histórias interrompidas, futuros arrancados. Quando leio que o feminicídio alcançou um pico histórico, que a cada dia, em média, quatro mulheres são tiradas da vida, não consigo evitar a pergunta que ecoa na alma: o que estamos deixando de fazer? Onde estamos falhando como sociedade?

Não é sobre estatísticas frias. É sobre a amiga que tem medo de voltar para casa, a irmã que se cala diante de uma ameaça, a vizinha que desapareceu sem deixar vestígios. É sobre essa dor latente que permeia nossos encontros, nossas conversas, até mesmo nossos sonhos. É sobre cada mulher que aprendeu a sorrir com medo. Há um silêncio que grita em cada mulher que hesita em denunciar, em cada gesto que esconde um pânico.

Vivemos em uma era de hiperconexão, de vozes amplificadas, de debates infindáveis. Mas como é possível que, em meio a tanto barulho, os gritos de socorro ainda não sejam ouvidos? O feminicídio não é um dado isolado; é o ápice de uma cultura que ainda se recusa a ver a mulher como um ser humano pleno, digno de respeito, seguro e livre. É o reflexo mais cruel da misoginia enraizada, da impunidade que encoraja, da indiferença que mata.

E então, o que fazemos com essa dor? Com essa raiva que ferve no peito? Podemos nos esconder na estatística, tratar o assunto como algo distante, “do outro”. Ou podemos deixar que essa realidade nos invada, nos confronte, nos impulsione. Que cada número seja um empurrão para a nossa própria introspecção: estou sendo parte da mudança ou mais um espectador?

Este não é apenas um apelo às autoridades – embora elas tenham um papel fundamental e urgente. É um apelo a cada um de nós. Aos homens, para que reflitam sobre seus privilégios e combatam a violência em todas as suas formas, começando pelo próprio círculo. Às mulheres, para que se unam, se fortaleçam e não se calem. À sociedade, para que pare de normalizar o que é inaceitável.

Os números são alarmantes, sim. Mas também são um chamado. Um chamado para que nossos corações não aguentem mais o silêncio que grita. Que a dor se transforme em movimento, a indignação em ação. Que a vida de cada mulher seja mais forte do que qualquer silêncio.

*Jacqueline Cândido de Souza é advogada e servidora pública dedicada, engajada na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de gênero.

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Depoimentos à PF apontam suspeita de caixa 2 em campanha em VG

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Relatos indicam pagamentos em dinheiro vivo a fiscais, fora das contas oficiais. Caso pode gerar investigação eleitoral e risco à chapa.

Depoimentos prestados à Polícia Federal em Mato Grosso apontam indícios de possíveis irregularidades na campanha eleitoral de 2024 da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti. As informações constam em relatos de coordenadores e colaboradores que teriam atuado durante o período eleitoral.

A informação foi divulgada com exclusividade pelo Blog do Popo.

Segundo os depoimentos, alguns fiscais de partido teriam recebido pagamentos em dinheiro vivo, apesar de contratos que previam transferências via PIX. Uma das pessoas ouvidas detalhou que recebeu valores por serviços prestados e também quantias adicionais em espécie para repassar a outros fiscais.

“Os pagamentos previstos eram por transferência, mas parte foi feita em dinheiro entregue no comitê”, relatou uma das testemunhas às autoridades.

Os indícios levantam a suspeita de que parte dos recursos utilizados na campanha não teria transitado pelas contas oficiais, o que, em tese, pode configurar irregularidade eleitoral. A Polícia Federal apura se a prática teria ocorrido de forma pontual ou sistemática durante o primeiro turno.

Nos bastidores, há a expectativa de que novos depoimentos com teor semelhante possam ser formalizados, ampliando o alcance das investigações. Caso as irregularidades sejam confirmadas, especialistas apontam que podem ser abertos processos por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos.

“Se comprovadas, as irregularidades podem ter consequências eleitorais relevantes”, avaliam fontes ligadas à área jurídica.

Até o momento, não há decisão judicial sobre o caso. A apuração segue em andamento e deve avançar conforme a análise dos documentos e depoimentos coletados pelas autoridades.

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