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Corinthians inicia Brasileirão Feminino com vitória suada sobre o Atlético-MG
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O Corinthians deu o pontapé inicial no Campeonato Brasileiro Feminino com uma vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG na noite desta sexta-feira. O gol solitário da partida, anotado por Letícia Monteiro ainda no primeiro tempo, garantiu os primeiros três pontos para o Timão na Arena MRV.
Com o triunfo, a equipe paulista assume a terceira colocação na tabela, enquanto o Galo, sem pontuar, ocupa a 16ª posição. A rodada de abertura do torneio ainda terá outros seis confrontos.
O jogo
O Corinthians demonstrou intensidade desde os primeiros minutos. Aos dois, Ivana Fuso preparou para Vic Albuquerque, que, em posição favorável, finalizou para fora. Pouco depois, Vic chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado por impedimento, frustrando a torcida corintiana.
O Atlético-MG teve sua chance de resposta aos 10 minutos, quando Kaiuska pressionou e tocou para Anny Marabá, que chutou para fora. A persistência do Corinthians foi recompensada aos 35 minutos: Ivana Fuso recebeu um lançamento preciso e serviu Letícia Monteiro, que não perdoou e abriu o placar para as visitantes.
O Galo quase chegou ao empate sete minutos depois, em um lance de desvio no travessão. A bola sobrou para Giovanna Barraca chutar de primeira, mas a zagueira Érika, atenta, conseguiu interceptar em cima da linha, salvando o Corinthians.
No segundo tempo, a partida seguiu movimentada. Aos oito minutos, Pimenta encontrou Anny Marabá, que invadiu a área e chutou por cima do gol corintiano. O Timão voltou a ameaçar aos 22, com Belén Aquino, que carimbou o travessão, quase ampliando a vantagem. Apesar dos esforços, o Atlético-MG não conseguiu criar oportunidades claras para buscar o empate, e a defesa corintiana segurou o resultado até o apito final.
Próximos confrontos
Corinthians terá seu próximo desafio em casa, recebendo o Fluminense na Neo Química Arena, em 20 de fevereiro de 2026 (sexta-feira), às 21h30 (de Brasília).
Atlético-MG viajará para enfrentar o Juventude no Estádio Municipal Homero Soldatelli, em 22 de fevereiro de 2026 (domingo), às 15h (de Brasília), buscando sua primeira vitória na competição.
FICHA TÉCNICA
| Atlético-MG 0 x 1 Corinthians | |
|---|---|
| Competição | Campeonato Brasileiro feminino |
| Local | Arena MRV, em Belo Horizonte (MG) |
| Data | 13 de fevereiro de 2026 (sexta-feira) |
| Horário | 21h (de Brasília) |
| Cartões Amarelos | Karen (Atlético-MG); Rhaizza (Corinthians) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Árbitra | Deborah Cecilia Cruz Correia (PE) |
| Assistentes | Suellen das Gracas Goncalves Silva (MG) e Andressa Oliveira Pereira (MG) |
| Gol | Letícia Monteiro, aos 35′ do 1ºT (Corinthians) |
| Escalação Atlético-MG | Maike; Santos (Nine), Hingredy, Barraca (Bender) e Diovanna; Maria (Thalita), Nunes e Kaiuska (Cindy Ramos); Amália, Pimenta e Marabá |
| Técnico Atlético-MG | Fabiana Guedes Rodrigues |
| Escalação Corinthians | Nicole; Giovanna Fernandes (Letícia Teles), Érika, Thais e Juliete; Rodriguez (Belén Aquino), Ana Vitória, Victória Albuquerque e Monteiro; Fuso (Jhonson) e Rhaizza (Robledo) |
| Técnico Corinthians | Dorival Júnior |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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