Cultura
Pelourinho recebe Cortejo Pelos Caminhos da Independência nesta sexta
Cultura
Ainda dentro dos festejos do Dia da Independência do Brasil na Bahia, celebrado em 2 julho, o Pelourinho realiza, na manhã desta sexta-feira (10), o “Cortejo e Cerimonial Pelos Caminhos da Independência”. O evento, que chega a sua terceira edição, terá concentração a partir das 9h, no Largo Quincas Berro D’água.

Com o tema “Resistência e Liberdade que Florescem pelos Caminhos da Independência: Um Grito Coletivo”, o cortejo sairá a partir das 10h e contará com 15 alas temáticas femininas, cada uma com uma expressão artística. A ideia é contribuir com o debate sobre pautas atuais da sociedade, como o combate ao feminicídio, à violência contra mulher e à intolerância religiosa.
Oficinas, exposição e shows
A ação cultural contará também com oficinas, exposição fotográfica e shows culturais após o encerramento do cortejo. A exposição fotográfica “Mulheres e o Tempo” apresenta os registros de mulheres idosas e busca destacar, por meio de suas trajetórias, reflexões sobre envelhecimento ativo, inclusão social, participação em atividades culturais e fortalecimento da cidadania por meio da arte, além da contribuição de cada uma delas para a construção da memória social e cultural da Bahia. São 21 painéis, que retratam mulheres negras idosas em sua participação nas atividades culturais do Cerimonial e Cortejo da Independência.
As apresentações culturais começam a partir de meio-dia e meia, com participação da Charanga do Bira e do Samba de Farofa.
Mais detalhes sobre a programação, que é totalmente gratuita, estão disponíveis no Instagram da Central Black Entretenimento, @central_black, que organiza o evento.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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