Esportes

Botafogo goleia o Cruzeiro na estreia do Brasileirão e assume liderança

Publicado em

Esportes

;

O Botafogo teve um início avassalador no Campeonato Brasileiro, aplicando uma goleada de 4 a 0 sobre o Cruzeiro, nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos. Com uma atuação dominante no segundo tempo, o Glorioso garantiu os três pontos e assumiu a liderança da competição, impulsionado pelo expressivo saldo de gols. Danilo, com dois tentos, Artur e Matheus Martins foram os autores dos gols alvinegros.

A vitória coloca o time carioca na ponta da tabela com três pontos e um saldo positivo de quatro gols. Em contrapartida, o Cruzeiro começa o torneio na última posição, sem pontos e com um saldo negativo de quatro gols, sinalizando um desafio já na primeira rodada.

O jogo

O confronto teve um início promissor, com ambas as equipes buscando o ataque. A primeira oportunidade de perigo foi do Cruzeiro, aos dez minutos, com um chute de fora da área de Matheus Pereira que exigiu boa defesa de Neto. O Botafogo respondeu em seguida com uma cabeçada de Arthur Cabral, após cobrança de falta.

Aos 21 minutos, os torcedores celestes chegaram a celebrar um gol de Kaio Jorge, mas a arbitragem, com auxílio do VAR, anulou o lance por impedimento. Após esse momento, o ritmo do jogo diminuiu, com a posse de bola se alternando e poucas chances claras criadas até o final da primeira etapa, apesar de uma nova investida do Cruzeiro em um cruzamento de Gerson que Wanderson finalizou por cima do gol.

Segundo tempo 

O intervalo pareceu fazer bem ao Botafogo, que retornou para o segundo tempo com outra postura. Logo aos dois minutos da etapa final, Danilo abriu o placar para o Glorioso, aproveitando um passe preciso de Arthur Cabral. O Cruzeiro tentou reagir e pressionou em busca do empate, mas a pontaria não estava afiada e Gerson parou em uma boa intervenção do goleiro Neto.

A partir daí, o Alvinegro retomou o controle do jogo e ampliou sua vantagem. Matheus Martins marcou o segundo gol aos 30 minutos, em um contra-ataque bem executado. A superioridade botafoguense continuou, e Danilo fez o terceiro aos 39, cabeceando para o gol após cruzamento de Nathan Fernandes. Para coroar a grande atuação, Artur fechou a goleada nos acréscimos, aos 45 minutos, ao driblar o goleiro Cássio e balançar as redes, selando o placar de 4 a 0 no Nilton Santos.

Próximos compromissos

Botafogo tem um clássico pela frente no Campeonato Carioca, enfrentando o Fluminense em 1º de fevereiro, domingo, às 20h30 (de Brasília), novamente no Estádio Nilton Santos.

Cruzeiro viaja para Betim para encarar o Betim pelo Campeonato Mineiro, também no dia 1º de fevereiro, às 20h (de Brasília), no Estádio Jurandir Elias.

FICHA TÉCNICA
                                                   Botafogo 4 x 0 Cruzeiro
Competição Campeonato Brasileiro (1ª rodada)
Local Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data 29 de janeiro de 2026 (quinta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Gols
Botafogo Danilo, aos 2′ do 2ºT
Botafogo Matheus Martins, aos 30′ do 2ºT
Botafogo Danilo, aos 39′ do 2ºT
Botafogo Artur, aos 45′ do 2ºT
Cartões Amarelos
Botafogo Allan
Cruzeiro Lucas Silva, Kaique Kenji
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Assistentes Brígida Cirilo Ferreira (AL), Schumacher Marques Gomes (PB)
VAR Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Escalações
Botafogo Neto; Mateo Ponte, Newton e Barboza; Alex Telles (Marçal), Allan (Artur), Danilo, Santi Rodríguez (Barrera) e Vitinho; Montoro (Nathan Fernandes) e Arthur Cabral (Matheus Martins)
Técnico (Botafogo) Martin Anselmí
Cruzeiro Cássio; Kaiki Bruno, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus (João Marcelo) e Fagner; Lucas Romero (Matheus Henrique), Lucas Silva (Christian), Gerson (Kaique Kenji) e Matheus Pereira; Kaio Jorge e Wanderson (Arroyo)
Técnico (Cruzeiro) Tite

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA