Mato Grosso
Com foco em sustentabilidade, Projeto ABC+ em Ação finaliza etapa 2025 em Cuiabá
Mato Grosso
A segunda edição do Projeto ABC+ em Ação foi encerrada nesta segunda-feira (17.11), durante evento realizado no Cenarium Rural, em Cuiabá. A iniciativa é resultado de uma cooperação entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com o objetivo de ampliar o acesso a informações técnicas e incentivar práticas agropecuárias sustentáveis no estado.
A etapa 2025 do projeto teve início em agosto e, ao longo de três meses, percorreu 16 municípios mato-grossenses com uma programação voltada à capacitação de produtores rurais, profissionais do setor e demais integrantes da cadeia produtiva. As atividades incluíram palestras, orientações técnicas, apresentações de tecnologias sustentáveis e esclarecimentos sobre linhas de crédito disponíveis para impulsionar a produção. A iniciativa recebeu investimento de R$ 1,57 milhão.
Para o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o foco do programa é estratégico: equilibrar a alta performance econômica com a conservação dos recursos naturais, posicionando o Estado como um líder na produção verde.
“Este programa chega para levar ao campo novas tecnologias, apresentar técnicas de utilização do solo que podem otimizar o rendimento do produtor e, obviamente, preservar o planeta. Nós vamos continuar trabalhando, continuar apoiando projetos como esse, para continuar produzindo com sustentabilidade.”
O ABC+ em Ação integra o Plano ABC+, política pública nacional voltada à redução de emissões de gases de efeito estufa na agropecuária e à adaptação das atividades produtivas às mudanças climáticas. Em Mato Grosso, a execução das ações é coordenada pela Sedec, em diálogo com entidades representativas do setor rural. A primeira edição do projeto, realizada em 2024, percorreu 10 municípios.
De acordo com o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, Mato Grosso já consolidou uma posição de vanguarda mundial em práticas de conservação do solo e responsabilidade ambiental.
“Mato Grosso é hoje o campeão em plantio direto, uma prática que consolidamos ano a ano. Quase 100% do que plantamos é feito dessa forma, uma prática sustentável que consiste em não movimentar o solo. Com isso, buscamos sequestrar o máximo de carbono possível para cumprirmos a nossa tarefa de casa. Temos a agricultura mais sustentável do planeta, e a pecuária não fica atrás.”
Além da difusão de tecnologias, o projeto também promoveu dias de campo, produção de conteúdos educativos e visitas a propriedades que já adotam práticas sustentáveis como referência. As atividades buscaram reforçar a importância da adoção de técnicas que ampliem a produtividade e, ao mesmo tempo, contribuam para o uso racional dos recursos naturais.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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