Mato Grosso
Secretaria de Educação e Tribunal de Justiça lançam concurso para promover reflexão sobre violência contra a mulher
Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) publicou, nesta quinta-feira (11.9), o Edital nº 016/2025/GS/SEDUC/MT que regulamenta o Concurso Escolar de Expressão sobre a Violência contra a Mulher. A ação faz parte do projeto “A Escola Ensina – a Mulher Agradece”, realizado em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Os trabalhos poderão ser inscritos em uma das categorias: Redação, Poesia, Música Autoral ou Vídeo, produzidos em sala de aula com orientação de professores e sem uso de IA. A competição será desenvolvida em três etapas, Escolar, Municipal e Estadual, e os critérios de avaliação incluem adequação ao tema, profundidade, criatividade, relevância social e potencial de mobilização.
O concurso é voltado para estudantes do Ensino Fundamental I e II (1º ao 9º ano) das redes estadual e municipal de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças, Sinop e Cáceres, cidades que concentram altos índices de violência contra a mulher. A inscrição pode ser feita neste LINK.
A proposta é incentivar os alunos a refletirem sobre direitos das mulheres e mecanismos de enfrentamento da violência, desenvolver habilidades de leitura crítica e criatividade, além de envolver toda a comunidade escolar na construção de uma cultura de paz.
Cada estudante poderá participar de apenas uma categoria, individualmente ou em grupo. As inscrições e o processo de seleção dos trabalhos serão realizados nas próprias escolas, que também ficarão responsáveis por encaminhar os melhores trabalhos de cada categoria dentro do prazo estabelecido pelo edital.
A iniciativa busca usar a produção artística e cultural como ferramenta de conscientização, desconstrução de estereótipos e promoção da equidade de gênero.
“A escola é um espaço de formação cidadã e deve contribuir para prevenir todas as formas de violência”, destaca o secretário de Estado de Educação, Alan Porto.
Mais informações sobre comissão julgadora, etapas, premiação e cronograma, no documento anexo.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT
Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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