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Quebrando Paradigmas: resistência e representatividade ocupam o palco

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Últimos dias para assistir ao espetáculo Quebrando Paradigmas, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro. A peça aborda a trajetória da identidade negra no Brasil, refletindo sobre resistência, arte e representatividade.

No palco, a história de um jovem negro de periferia, que entra em uma renomada escola de teatro, onde enfrenta conflitos, como a falta de consciência social e racial de seus colegas.

A obra é inspirada no legado do Teatro Experimental do Negro, fundado pelo ativista Abdias Nascimento, em 1944, e se transformou num marco da luta antirracismo e valorização da cultura do povo preto.

O ator e dramaturgo Lucas Popeta, idealizador de Quebrando Paradigmas, explica que a ideia da montagem de surgiu de experiências pessoais e de sua inquietação em abordar questões pouco apresentadas nos palcos.

“A peça é inspirada, sim, em fatos reais, porque eu misturo tudo ali que eu passei, o que eu vivi dentro da minha trajetória artística para falar do Teatro Experimental do Negro. Ela nasce, se a gente fosse resumir uma palavra, de uma inquietação, uma inquietação de colocar teatro, de colocar dramaturgia, nas coisas que não são faladas habitualmente, não são ensinadas”.

Lucas Popeta fala sobre como o Teatro Experimental do Negro influenciou no espetáculo.

 “Eu acho que essa inspiração do Teatro Experimental do Negro fala da multiplicidade. Fala do negro, múltiplo do negro que faz música, que dança, que canta, que interpreta, que escreve. Então, esse é o legado do teatro experimental, nessa construção em grupo”.

 O ator destaca também as várias visões e vozes que ecoam em cena.

“Tem uma frase que norteia o espetáculo que é, o Brasil é construído por pessoas que a gente ainda não conhece. Então, dentro do espetáculo, a gente vai viajar por essas pessoas, pelas visões delas, e trazendo o protagonismo delas perante a vida e perante ao país”.

Ele ressalta ainda a importância do espetáculo, que se reconstrói a cada apresentação.

“Eu acho que a minha visão sobre a importância do espetáculo é o desenvolvimento, que a gente está sempre olhando para construir um futuro melhor, e o espetáculo por ser teatro, a gente acha que a obra se fecha ali, mas essa é uma obra que a cada momento, cada dia, a cada espetáculo, a cada ano, a cada temporada, a gente vai encontrar algo novo nessa história, porque é uma história que está em construção”.

 A temporada no Centro Cultural Justiça Federal faz parte da Mostra Cultural Consciência Negra, para celebrar a força, resistência e importância da cultura afro-brasileira.

Quebrando Paradigmas fica em cartaz até  domingo, na Avenida Rio Branco, 241 – Centro do Rio,  com ingressos a R$ 40 a inteira.


Fonte: EBC Cultura

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Dia do Livro: como o cinema e o carnaval impulsionam a venda de livros

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Entre as expressões artísticas que retratam a realidade, o cinema é considerado a sétima arte porque é capaz de reunir todas as demais: música, dança, pintura, escultura, arquitetura e literatura. Neste Dia do Livro, vale lembrar que, apesar das adaptações para as telas, a leitura garante que a história contada seja imaginada a gosto de cada leitor. Mesmo assim, há quem seja apaixonado pela leitura, mas não abre mão de conferir a adaptação da obra nos cinemas, por exemplo. É o caso da química Alícia Fuentes, de Brasília.

Eu gosto, por exemplo, de ler os livros antes da adaptação. Ver como o autor escreveu e tudo mais, para depois ver como foi adaptado. E aí ver aquele universo que eu só tinha imaginado, né, na tela, foi como poder viver aquela história de novo. Melhor ainda do que o livro, às vezes, em determinados momentos. Por isso que eu acho que, assim, vale muito a pena ler o livro antes da tela, porque eu acho que você vive a história duas vezes.

A escritora alagoana Cibele Tenório considera que as diferentes formas de arte se retroalimentam. Também apresentadora da Rádio Nacional da EBC, Cibele acredita, com base na própria experiência, que um bom filme pode levar o espectador à busca pelo livro, o que acaba sendo um incentivo à leitura.

Muitas vezes, o meu mundo foi povoado por filmes na infância, adolescência, que eram baseados em livros e eu nem sabia. E só depois eu ia descobrir que aquelas obras que eu amava eram, né, baseadas em livros. E muitas vezes essas obras me levaram para a fonte original, que era o livro. Eu acho que são coisas que se retroalimentam. Eu acho que é incrível quando outras manifestações artísticas podem fazer as suas interpretações dessas obras, o que não substitui também a leitura do livro.

No cinema, o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, levou o primeiro Oscar brasileiro de Melhor Filme Internacional no ano passado. A história original foi contada no livro de mesmo nome, escrito pelo jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva. A obra, lançada em 2015, viu as vendas explodirem dez anos depois.

Cibele Tenório escreveu a biografia da sufragista alagoana Almerinda Gama. Ela revela que se sentiria honrada caso o livro fosse adaptado em um roteiro de filme e, mais ainda, se a história de Almerinda ganhasse outra forma de narrativa.

Eu acho muito legal série, filme. Pra mim seria uma honra se um dia, né, o meu livro “Almerinda Gama: A Sufragista Negra” fosse tema de qualquer adaptação, mas em especial das escolas de samba, que eu acho também que é um jeito tão único que a gente tem de contar histórias no Brasil, popularizar o livro, para que ele saia dessa coisa da livraria, da estante, e também ganhe as ruas. Eu acho que uma coisa retroalimenta a outra e eu acho muito saudável isso.

Assim como “Ainda Estou Aqui”, também esgotaram nas prateleiras os exemplares de “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves. A obra, com quase mil páginas, fez sucesso no enredo da escola de samba Portela, o que aumentou o interesse dos leitores em conhecer de perto o livro original.

As adaptações de obras literárias devem respeitar os direitos autorais. Para que vire filme, é preciso que o título já esteja em domínio público. No Brasil, isso acontece 70 anos após a morte do autor. A obra também pode ser licenciada com autorização para adaptação, conforme explica o advogado especialista em direito autoral, Paulo Palhares.

A obra audiovisual é uma obra derivada da obra original. Então, em todos os casos, é preciso se referir a essa adaptação de que essa obra é uma obra derivada de um original. E é preciso garantir que, ou ela esteja em domínio público, ou que os direitos para a adaptação tenham sido licenciados pelos seus titulares. Garantir também que aquelas pessoas que eventualmente sejam responsáveis por fazer essa adaptação — isto é, quem vai transformar aquela obra literária em um roteiro — também tenham seus direitos e as suas obrigações regulados num contrato.

Desde 1995, a UNESCO celebra o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais em 23 de abril, data que marca a morte de grandes escritores mundiais como William Shakespeare.

*Com produção de Beatriz Evaristo e Dayane Victor.

Fonte: EBC Cultura

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